Grupo vai tentar disseminar a paz nas escolas

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Centenas de professores e estudantes estiveram ontem, 14, na porta do Palácio dos Despachos. O ato foi uma das ações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese) contra a violência nas escolas, a falta de prioridade para a educação pública e a consequente desvalorização do profissional do magistério.

Os educadores lembraram do professor Carlos Cristian Almeida Gomes que recebeu na noite do último dia 12, cinco tiros disparados por um aluno da Escola Estadual Professora Olga Barreto que estava insatisfeito com a nota que havia recebido na disciplina de Biologia. Segundo a direção do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), o professor Carlos Cristian Góis, que foi operado, segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e continua em estado gravíssimo com instabilidade hemodinâmica, em uso de medicação vasoativas, sedado e respirando por aparelhos.

Esse não é o primeiro caso de violência dentro de uma escola da rede pública. Em abril de 2013 um professor, Edilson Oliveira, também foi alvejado por um estudante enquanto estava na Escola Estadual José Augusto Ferraz. Nesse caso a situação foi um acidente, pois o alvo era um outro aluno. O docente ficou com sequelas físicas e psicológicas.

De acordo com a vice-presidente do Sintese, Ivonete Cruz, o ato serviu para abrir o diálogo sobre a questão da violência nas escolas sergipanas. No Palácio dos Despachos um grupo formado por professores e alunos foi recebido pelo secretário da Casa Civil, José Sobral. "Cobramos a urgência do Governo em criar uma comissão permanente para discutir e procurar alternativas para combater a violência nas unidades de ensino. Não podemos tratar esse caso de forma isolada, precisamos encontrar as causas de tal violência". Ao fim do encontro ficou acordado que será criada uma comissão formada por representantes de várias secretarias.
Depois do ato na sede do Governo do Estado os educadores e alunos seguiram em caminhada até a Secretaria de Estado da Educação (Seed), onde foram recebidos pela secretária Hortência Araujo. "É urgente a necessidade de construção de uma proposta pedagógica que fale das saídas para superar a crise nos colégios. Precisamos ir além da criminalização. Essa construção precisa ter início, meio e fim", destacou a vice-presidente do Sintese.

Na Secretaria também haverá a partir da próxima semana uma comissão paritária formada por professores, alunos e seus pais e servidores que vão buscar de forma conjunta a elaboração de projetos e programas educacionais no combate à violência, disseminando a cultura da paz entre a comunidade escolar. Deve ser feito um cronograma de visitas às escolas com o intuito de promover diálogos, ouvir alunos, servidores e professores como forma de desenvolver em toda a comunidade escolar um sentimento de pertencimento e de proteção.
"Essa comissão deve ser coordenada pelo Departamento de Educação da Seed, e será composta por representantes de professores, alunos, pais de alunos e servidores não docentes. Deve ser feito um cronograma de visitas às escolas com o intuito de promover diálogos, ouvir alunos, servidores e professores como forma de desenvolver em toda comunidade escolar um sentimento de pertencimento e de proteção", frisou a secretária.

A aluna Jordana Carvalho fez questão de participar do ato. "É fundamental que os alunos estejam com os professores, pois nós somos o futuro e os professores fazem parte dessa construção".
A Seed por meio de nota informou que iniciou ontem o trabalho de acolhimento e assistência psicológica aos professores, funcionários e pais de alunos da unidade de ensino. As psicólogas conversaram e tentaram entender o estado emocional de todos na unidade de ensino.
A vice-presidente do Sintese, Ivonete Cruz, confirmou que uma equipe de psicólogos da Seed estive na Escola Estadual Professora Olga Barreto, localizada no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão.  

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