Pedrinho e Campos serão enterrados hoje

Corpo de Pedrinho será sepultado às 16h de domingo

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O corpo do ex-deputado federal sergipano Pedro Almeida Valadares Neto, o ‘Pedrinho Valadares’, 49 anos, será enterrado às 16h deste domingo no Cemitério Colina da Saudade, conjunto Santa Lúcia, bairro Jabotiana (zona sul de Aracaju). Ele foi liberado por volta das 15h de sábado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo (SP), juntamente com os corpos das outras seis pessoas mortas na queda do avião Cessna 560 XL que as transportava para Santos (SP), na última quarta-feira.

A liberação dos cadáveres aconteceu após a confecção dos atestados de óbito das sete vítimas, o que foi providenciado durante a manhã por um cartório de Santos, onde aconteceu o acidente. Um helicóptero do Governo de São Paulo foi usado para buscar os documentos e agilizar a entrega deles aos familiares na capital paulista. Após a liberação, todos os caixões foram levados para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, e colocados em um avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB), cuja chegada ao Aeroporto Santa Maria (zona sul de Aracaju) estava prevista para a 1h deste domingo.
Um caminhão do Corpo de Bombeiros foi reservado para fazer o transporte do caixão entre o aeroporto e o cemitério Colina da Saudade, onde o velório começará e se prolongará até à tarde. Segundo o jornalista Elton Coelho, porta-voz da família, foi programada ainda a escolta de soldados da Guarda Municipal de Aracaju e agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), durante o trajeto do cortejo. Os funerais terão a participação de centenas de pessoas, entre amigos, parentes, políticos, autoridades, admiradores e conterrâneos do ex-deputado, que era de Simão Dias (Centro-Sul). A escolha pelo sepultamento em Aracaju foi uma decisão da família.

O desembarque do corpo de Pedrinho em Aracaju foi programado para depois da passagem do avião oficial por Recife (PE), onde foram entregues os corpos das quatro vítimas pernambucanas: o ex-governador Eduardo Campos (que era candidato à Presidência pelo PSB), o assessor de imprensa Carlos Augusto Leal Filho, o ‘Percol’, o fotógrafo Alexandre Severo e o cinegrafista Marcelo de Oliveira Lyra. Depois da passagem por Sergipe, o Hércules da FAB seguiu para as cidades de Governador Valadares (MG) e Maringá (PR), onde serão sepultados os corpos do piloto mineiro Geraldo Magela Barbosa e do co-piloto paranaense Marcos Martins.

Também chegaram a Sergipe os parentes e amigos que foram a São Paulo para providenciar a liberação do corpo de Pedrinho. Eles também cederam material genético para ajudar os peritos que trabalharam longamente na reconstituição e identificação dos restos mortais das vítimas. Os trabalhos foram concluídos ao meio-dia de sábado. Por um pedido da ex-primeira-dama de Pernambuco Renata Campos, viúva de Eduardo, todos os corpos foram liberados e transportados de uma só vez.
Em uma carta divulgada no sábado, a irmã de Pedrinho, Andréa Valadares, agradeceu às manifestações de solidariedade dos sergipanos e lamentou a tragédia. "Não tenho condições de responder às mensagens de carinho enviadas, bem como atender aos telefones. A dor é muito grande, insuportável. Amo muito o meu irmão, daria a minha vida por ele, se possível fosse. Porém, só me resta pedir a Deus e a Nossa Senhora que o acolham em tua infinita misericórdia, e deem muita força à nossa mãe tão amada, a mim e aos meus irmãos, sobrinhos, à minha cunhada, amiga e irmã Simone, e aos seus filhos, Rodrigo e Fábio", escreveu Andréa.

Pedrinho Valadares era assessor especial de Eduardo Campos e era um dos principais coordenadores de sua campanha à Presidência. Ele acompanhava o socialista, de que era amigo pessoal, em uma agenda de compromissos que incluía entrevistas e eventos em São Paulo e na Baixada Santista. O sergipano, sobrinho do senador e ex-governador Antônio Carlos Valadares (PSB), também ocupou por dois anos a diretoria de relações institucionais do Porto de Suape, em Pernambuco, a convite de Eduardo. Antes, ele foi deputado federal por três mandatos, entre 1991 e 2000, e secretário estadual de Turismo no governo João Alves Filho (2003-2006).

Avião não poderia decolar com gravador de voz desligado, diz Anac

Sabrina Craide
Agência Brasil

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que a aeronave em que viajava o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, não poderia decolar sem o gravador de voz ativado. Segundo a agência, embora não seja um item de segurança, o equipamento deve ser obrigatoriamente checado pelo comandante antes do início do taxiamento, conforme manual de operação do fabricante da aeronave.

O manual também estabelece que o cockpit voice recorder (CVR) deve ser verificado a cada 150 horas de voo ou 24 meses, o que ocorrer primeiro. Mais cedo, a Aeronáutica informou que o gravador de voz do jato que caiu quarta-feira (13) não registrou as conversas ou sons ambientes em seu o último voo. As duas horas de áudio gravadas e já analisadas por peritos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) não correspondem ao voo em que Campos e mais seis pessoas morreram.
A Anac reiterou que o avião PR-AFA, modelo Cessna Aircraft 560XL, estava com a Inspeção Anual de Manutenção e o Certificado de Aeronavegabilidade válidos e que a última verificação anual completa das manutenções foi executada em fevereiro deste ano.

A aeronave, com capacidade para nove passageiros, de propriedade da Cessna Finance Export Corporation, era operada pela empresa privada AF Andrade, por meio de arrendamento operacional (leasing), conforme Registro Aeronáutico Brasileiro. A Anac pediu apoio à Polícia Federal para localização do operador, com o objetivo de verificar informações veiculadas pela imprensa sobre eventual venda da aeronave, ainda não comunicada à agência.

Continuam buscas em local onde caiu avião de Eduardo Campos

Daniel Mello
Agência Brasil

Continuaram ontem (16) as buscas no local onde caiu o avião que levava o candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, e mais seis pessoas, em Santos, litoral paulista. Equipes da Defesa Civil Municipal, do Corpo de Bombeiros, técnicos da Aeronáutica, agentes da Polícia Federal e do Instituto de Criminalística da Polícia Civil estão trabalhando no recolhimento de fragmentos da aeronave, que caiu na última quarta-feira (13).

De acordo com a Defesa Civil, 70% dos moradores da região atingida, cerca de 40 pessoas, já retornaram às suas casas. Outros ainda farão reparos nos imóveis, para conserto de telhas e encanamento, antes de retornarem. A prefeitura de Santos está removendo o entulho das áreas comuns das casas para facilitar a volta dos moradores. As pessoas afetadas estão recebendo assistência, jurídica, social e psicológica pela administração municipal.

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