Kátia Azevedo
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O carroceiro José Augusto da Silva, de 53 anos, foi mais uma vítima da desassistência na saúde pública. Segundo familiares, ele morreu sem assistência na porta de uma unidade de saúde de urgência e emergência localizada no Conjunto Eduardo Gomes, no município de São Cristóvão.
Também conforme parentes de José Augusto, o trabalhador foi levado até a unidade de saúde Maria José Soares Figueirôa após passar mal durante a madrugada. De acordo com um dos filhos de José Augusto, o carroceiro chegou ao posto de saúde por volta das 2h da manhã, com fortes dores abdominais.
"Ele esperou muito tempo. Quando a gente chegou bateu na porta do posto e ninguém atendeu", conta revoltado Sérgio Silva Santos, filho de José Augusto. "Aqui é pra funcionar 24 horas, mas o meu pai morreu porque não teve atendimento", disse indignado.
Sérgio e outros familiares informaram que irão colocar a prefeitura na justiça para exigir a responsabilidade da administração municipal diante da falta de providência na oferta da assistência, principal alegação dos parentes do carroceiro para a sua morte. "Ninguém sabe se ele ia sobreviver se fosse atendimento, mas foi negado o direito dele de ter a assistência e isso é crime", disse o filho indignado.
O genro de José Augusto, Leandro Gomes, disse que uma viatura do Serviço Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e chegou até o local quase 5h da manhã. "A gente esperava que o Samu levasse para outro lugar para ele ser atendido, já que ele não foi atendido no posto", informou.
Revoltados com a situação, usuários do posto de saúde e parentes fizeram uma manifestação no local e o espaço chegou a ser fechado. A Polícia foi acionada para conter a situação. No tumulto, os familiares impediram a retirada do corpo do local por uma ambulância que foi enviada pela Prefeitura de São Cristóvão. "Ambulância é pra vivo e não pra morto", gritou revoltada a irmã da vítima.
Segundo informações dos familiares, José Augusto da Silva passou mal durante a madrugada da segunda-feira e foi levado até a unidade de saúde, onde foram informados que não havia médico no local. "A gente vai colocar a prefeitura na justiça", disse Sérgio, lembrando que a unidade funciona 24h para atendimento de urgência e emergência e não prestou assistência por falta de médico.
Apesar dos filhos da vítima declararem que não havia atendimento médico no hospital, os coordenadores do posto justificaram que a família da vítima não pediu acolhimento.
Secretário contesta – O secretário municipal de saúde de São Cristóvão, Fernando Rodrigues, contesta a versão da família do carroceiro. Segundo ele, o homem já chegou morto no posto de saúde. "Uma unidade móvel do Samu foi acionada e o atendeu na rua às 4 horas da manhã, mas quando a equipe chegou lá ele já estava morto e diante da situação somente pode ser transportado pelo Instituto Médico Legal (IML)", relata o secretário.
Ainda conforme informações de Fernando Rodrigues, a família que acabou levando o carroceiro até o posto de saúde, mesmo morto. "Estão tentando transformar o caso em uma questão política", disse o secretário, que rebateu as acusações da família de que José Augusto não foi atendido por falta de médico. "Todos os médicos estão no posto de saúde, mas o homem já chegou à unidade sem vida. Temos um relatório comprovando a entrada de pacientes na unidade de saúde confirmando que a família de José Augusto não buscou atendimento na unidade", reforçou.
Em nota divulgada pela assessoria de comunicação da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) ontem, foi informado que a coordenação médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe), recebeu uma solicitação para atendimento às 4h50 da segunda-feira, 25.
Ainda de acordo com a informação da FHS, após a regulação, uma viatura foi deslocada às 4h55 até a unidade hospitalar 24 horas, no município de São Cristóvão. Chegando ao local às 5h08, a equipe do Samu constatou o óbito do paciente. "A coordenação médica ainda ressalta que este foi o único chamado para este caso, junto à Central de Regulação do Samu", esclareceu.


