Violência nas escolas é tema de debate entre especialistas

Cândida OLiveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Depois que o professor de biologia Carlos Christian Gomes levou cinco tiros dentro de uma sala de aula na rede pública de ensino de Sergipe, no dia 12 de agosto, o tema ‘violência nas escolas’ está sendo debatido entre professores, pais, sindicato de classe e Governo do Estado.

Duas reuniões de uma comissão formada por representante dos professores, Secretaria de Estado da Educação, Secretaria de Estado da Segurança Pública, Secretaria Especial de Políticas para Mulher e Comitê do Desarmamento já acontecerem e segundo a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Oficial de Ensino do Estado de Sergipe (Sintese), Ivonete Cruz, é necessário ação enérgica e rápida no tocante a prevenção do uso de drogas e armas nas unidades de ensino. "O objetivo é criar um projeto que envolva professores, gestores e órgãos do Governo do Estado a fim de realizar ações nas escolas e no seu entorno", disse.

Na reunião que ocorreu ontem, 27, a Secretaria de Segurança Pública apresentou propostas com objetivos e ações. Todas as quartas-feiras haverá reunião dessa comissão. "Colocamos na segunda reunião que é preciso um trabalho que não seja apenas de momento, mas com continuidade e que envolva todos os sujeitos da comunidade escolar. Se não for dessa forma, nada mudará", destacou Ivonete. Para a sindicalista a Secretaria de Estado da Educação (Seed) precisa fazer o trabalho de articulação, já que é o órgão que lida diretamente com educação.

Em material enviado a imprensa, a assessoria de comunicação da Seed afirmou que o objetivo da comissão é traçar projetos e programas de combate à violência no ambiente escolar. Na ocasião da segunda reunião, ocorrida quarta-feira, 27, a técnica da Seed, professora Maria Aparecida Couto, fez a apresentação do livro de sua autoria intitulado ‘Violência e gênero no cotidiano escolar’. Fruto de uma pesquisa realizada em escolas da rede estadual de ensino, a publicação busca auxiliar o educador na identificação de representações e manifestações de violência no ambiente escolar.

"É necessário ter uma visão geral do que acontece nas escolas, ficar atento às brincadeiras que alunos tiram uns com os outros, estranhar comportamentos arredios ou de reclusão da criança em sala de aula, comportamentos antissociais ou preconceituosos. Tudo isso deve ser combatido através do diálogo e de atividades na escola que despertam no aluno bons sentimos, respeito e tolerância ao próximo", frisou a professora Maria Aparecida Couto.

A representante da Secretaria de Segurança Pública Abigail Souza frisou a importância dos debates que acontecem durante a reunião da comissão que buscam criar meios eficazes de coibir atos violentos no ambiente escolar. "Nossa perspectiva é que seja implementado um projeto-piloto intersetorial nas escolas da rede estadual para que o jovem perceba que a escola é lugar para se formar um cidadão e jamais para disseminar a violência ou o preconceito", disse Abigail.

Os diversos participantes da comissão estão otimistas com os encaminhamentos que foram dados durante essa segunda reunião. "Estou confiante que essas ações que foram debatidas aqui sejam concretizadas e devolva à escola o seu papel de formadora de pessoas do bem e comprometidas sempre com o futuro melhor e transformador da sociedade", relatou Maria de Fátima de Jesus, representante de pais e alunos na comissão.

A diretora do Serviço de Ensino Fundamental da Seed, professora Maria José Guimarães, que coordenou a reunião, afirmou que neste segundo encontro houve mais avanços e cada entidade apresentou sua análise sobre as situações de violência. "Todos foram unânimes em enfatizar que a violência deve ser enfrentada com políticas públicas em que todos devem ser envolvidos e responsáveis. Passa por ações de prevenção com a formação continuada e inserção no projeto pedagógico das escolas", relatou a professora. 

Compartilhe esta notícia