Gabriel Damásio
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A polícia de São Cristóvão (Grande Aracaju) ainda procura por outros dois suspeitos de participação na gravação de um vídeo divulgado na última quinta-feira, no qual um adolescente de 14 anos aparece armado, consumindo drogas e ameaçando matar quatro policiais que trabalham na cidade. Os nomes deles ainda são mantidos em sigilo, mas o delegado responsável pelo caso, Ronaldo Marinho, da 12ª Delegacia Metropolitana (12ª DM), confirma que "há indícios fortíssimos" de ligação dos suspeitos com uma quadrilha de traficantes que age na periferia da cidade.
Conforme o delegado, os acusados já foram identificados e fugiram do loteamento Tijuquinha, onde moravam, após a divulgação do vídeo e a subsequente reação da Polícia Civil – na sexta-feira passada, agentes ligados a Superintendência do órgão capturaram o adolescente e um terceiro adulto que também aparece no vídeo, consumindo drogas. "Nós já temos a qualificação deles, estivemos nas residências deles e descobrimos que eles fugiram logo após a divulgação do vídeo, com todos os familiares. A comunidade sabe quem é, tem informações sobre eles e pode nos passar de forma anônima, pelo telefone 181. Sabemos da dificuldade de quem está lá na região para ir à delegacia e prestar depoimento, mas precisamos destas informações para descobrir até outros crimes", apela Ronaldo.
As investigações realizadas desde a divulgação do vídeo, cuja repercussão estourou na semana passada, mostraram que a gravação com o adolescente foi feita para responder a uma ameaça igualmente feita pela internet por outro traficante, conhecido como "Ieié" e morador de um bairro da periferia de Aracaju. Segundo o titular da 12ª DM, esse era o objetivo do grupo, mas eles também citaram os nomes de um sargento da Polícia Militar e três agentes lotados na 6ª DM e na 12ª DM, em meio a palavrões, ofensas de caráter sexual e ameaças de morte. "A intenção deles foi criar uma aura de superioridade para o grupo criminoso que agia no Tijuquinha e, com isso, ganhar mais espaço de poder na região, mas a própria reação da polícia fez com que eles fugissem do local", acredita Marinho.
O delegado também confirmou que a cúpula da Polícia Civil já tomou medidas para proteger os policiais ameaçados e seus familiares – os criminosos comentaram na gravação que queriam sequestrar e abusar da filha do sargento. "Claro que os familiares ficam um pouco abalados com essa situação, mas os policiais estão preparados para lidar com isso e estão agindo com profissionalismo. Eles têm uma atuação muito firme contra o tráfico e o crime na região de São Cristóvão e vamos manter ainda mais essa atuação", assegurou Ronaldo. Os acusados devem ser processados por ameaça, posse ilegal de arma, corrupção de menores e uso de drogas, entre outros crimes.
Solto – Anteontem, o auxiliar de serviços gerais David Johnata Santos de Jesus, 19 anos, que tinha sido preso sexta-feira passada no Tijuquinha, foi solto após ter sua prisão relaxada pela juíza plantonista Etodéa Moura Teles. Ele pagou uma fiança e vai responder em liberdade pelo crime de "Indução, Instigação ou Auxílio ao Uso de Drogas", previsto pela atual Lei de Entorpecentes. O acusado já admitiu que é usuário de drogas e disse à polícia que "estava no lugar errado, na hora errada".
"O crime que ele cometeu é um dos que o Código de Processo Penal prevê a possibilidade de responder em liberdade, mediante o pagamento de fiança. Não se trata de uma deferência do delegado de polícia, mas sim de uma obrigação legal", disse Marinho, pontuando que o acusado também está obrigado a não sair da cidade e apresentar-se à Justiça periodicamente. O delegado afirma ainda que deve indiciar David pelo crime de corrupção de menores, o que ele considera como a conduta mais grave. "Pelo fato de o adolescente estar sendo instigado a usar drogas e praticar crimes, além do fato de ele usar drogas na presença do adolescente", pontuou.
O menor por sua vez, permanece na Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), cumprindo a internação provisória de 45 dias determinada pela Justiça e respondendo pelos "atos infracionais" equivalentes aos crimes de ameaça, posse de arma e uso de substância ilícita. Marinho entende que o rapaz que aparece no vídeo também é vítima, apesar de ter cometido as infrações. "O adolescente já tem uma vida no crime, há um tempo que ele vem praticando conduta junto com esses adultos. Neste caso específico, ele também é vítima dos adultos, das duas pessoas que estão envolvidas na produção desse vídeo e na divulgação dele pela internet", avalia o delegado.
As investigações contam com o apoio da Superintendência da Polícia Civil (Supci) e da Coordenadoria de Polícia Civil da Capital (Copcal), que criaram na semana passada uma força-tarefa com a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC). O objetivo e identificar e prender os autores de outros vídeos com ameaças e desafios a policiais, igualmente postados na internet.


