Milton Alves Júnior
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A véspera de Natal de muitos aracajuanos foi marcada por intenso movimento nos principais polos comerciais da capital. Milhares de pessoas que deixaram para comprar os tradicionais presentes horas antes da ceia natalina encontraram dificuldades para adquirir produtos de sua preferência e que coubesse no orçamento familiar. Nos calçadões das ruas Laranjeiras e João Pessoa, desde as 6h30 os empresários e vendedores já registravam amplo fluxo de pessoas que tentavam fazer compras longe das estressantes filas que se formavam dentro e fora dos estabelecimentos comerciais. Com os estoques destinados ao Natal já em baixa, os consumidores tiveram que mudar de estratégia, e até pagar a mais por deixar tudo para o último dia.
Entre as centenas de pessoas que transitavam pelos calçadões, foi possível se deparar com aqueles sergipanos que, pela segunda ou terceira vez consecutiva, diziam-se incomodados com as circunstâncias do comércio central, mas que reconheciam ter errado na própria conduta. Esse é o caso do professor Elder Gonçalves que lamentou não ter aprendido com os anos anteriores, apostando ele, que neste final de 2014 a situação seria diferente.
De acordo com o docente de 32 anos, a atual conjuntura financeira dos brasileiros e as constantes expectativas de baixo crescimento apresentadas pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) contribuíram para que ele imaginasse um movimento menor de clientes na caça aos presentes. "Dizer que não tive tempo é um pouco demais, mesmo porque desde o início do mês o horário de funcionamento aqui no Centro, que é o lugar com preços mais baixos, está diferenciado justamente para atender pessoas como eu que trabalham o dia todo. Já passei por isso em 2012 e 2013, e agora não posso fazer nada, a não ser ter paciência", disse Elder.
Com o apoio efetivo da Polícia Militar, desde o último dia 15 as lojas do Centro funcionavam das 8h às 21h. Ontem esse horário foi diminuído. O atendimento ao público foi das 7h às 18h. Paralelo ao satisfatório movimento dentro das grandes lojas, vendedores ambulantes aproveitaram o momento para melhorar a renda.
Nos quatro cantos do comércio central foi possível encontrar vendedores de água de coco, refrigerante, suco e demais líquidos que colaborassem para refrescar as pessoas que, além de disputar espaço com os demais comerciantes, também tentavam driblar, sem sucesso, a forte onda de calor que predominava no dia de ontem. Satisfeito com as vendas, o autônomo Augusto Fernandes, revendedor de água mineral e coco verde, afirmou que o saldo deste ano será mais positivo. "Por incrível que pareça este momento está sendo mais lucrativo que 2012. Na realidade, acho que venda melhor que essa nós só tivemos em 2010 que foi bastante positivo. O calor e a tradição em deixar tudo para a última hora acabou favorecendo a gente também", declarou.
Conforme apontado pela direção da CDL/Aracaju, o setor empresarial acreditava que o crescimento econômico nas vendas deste período deveria se igualar a 2013. Essa estimativa foi possível em virtude de este ano todas as datas comemorativas o volume de vendas terem registrado o mesmo patamar do ano anterior. Apesar das baixas perspectivas dos empresários, os gerentes lojistas apontam elevação na saída de produtos desde a última sexta-feira, 19, e apontam um progresso de 10% a 12%. "Não temos o que reclamar. Antes a pesquisa de preços era alta, mas nenhuma venda. Agora, as vendas estão altas e pouca pesquisa de preços. Isso tem ajudado a movimentar bem a loja e diminuir rapidamente o estoque", afirmou a vendedora Fernanda Rocha.
Entre os departamentos mais movimentados estão as lojas de vestuário, calçados, aparelhos eletrônicos, e material escolar. Ainda de acordo com a vendedora, a injeção do 13º salário contribuiu para a evolução das vendas. "Muita gente ficou apertada o ano todo por causa da copa. Se livraram das dívidas e agora estão com o 13º salário livre para ir às compras. Bom para eles que adquirem produtos novos e para nós que vendemos mais", pontuou Fernanda.


