Sargento deve ser punido por ameaças a casal

Um sargento lotado no 8º Batalhão da Polícia Militar (8º BPM), que tem 48 anos e cujo nome não foi divulgado, é o motoqueiro que aparece dando chutes em um carro e, de arma em punho, ameaçando matar um casal, durante uma briga de trânsito que aconteceu nesta semana em frente à Praça Tobias Barreto, no bairro São José (zona sul de Aracaju). O militar foi identificado pela Polícia Civil a partir de um vídeo gravado por uma testemunha e divulgado nas redes sociais da internet. A informação foi confirmada pela delegada Maria Zulnária Soares, da 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM), que já ouviu os depoimentos do casal e do próprio militar, que se apresentou na delegacia ao meio-dia de ontem.
O caso é apurado por meio de um Termo de Ocorrência Circunstanciado (TOC), previsto para casos que envolvam crimes de menor potencial ofensivo. O processo ainda será concluído na semana que vem, mas, de acordo com Zulnária, o sargento será indiciado pelos crimes de agressão, ameaça e dano, devido aos chutes que amassaram a lataria do carro do casal, um Fiat Palio. Ao ser concluído, o TOC será encaminhado à Justiça e ao Comando da Polícia Militar, que também tomou providências: suspendeu o porte de arma do acusado e abriu um processo disciplinar contra ele na Corregedoria da corporação.
O chefe do setor de relações-públicas, tenente-coronel Paulo César Paiva, informou que o militar já cumpre uma licença especial e continuará afastado do serviço até o fim do processo. Ele disse que a ação do PM "foi desproporcional" e não ficará sem resposta. "Com certeza a corporação irá punir essa ação com o rigor que a lei exige, na medida da responsabilidade de sua conduta. A nossa corporação não se coaduna com qualquer tipo de ameaça, abuso de autoridade ou desvio de comportamento de qualquer um de seus integrantes. A Corregedoria já está trabalhando no procedimento disciplinar. Ele terá o direito garantido ao contraditório e à ampla defesa, mas se ficar configurada a autoria dele nesta ação descabida, ele será punido rigorosamente", assegura Paiva.
O depoimento do PM estava marcado inicialmente para hoje, mas foi antecipado porque o sargento se apresentou pela manhã no quartel da corporação, no Centro. "Eu fui avisada pelo coronel Paiva de que o sargento estava no Comando, se apresentando e pedi que ele fosse imediatamente pra delegacia, assim que saísse. E ele compareceu e deu o depoimento", disse a delegada, confirmando que o policial usava uma moto emprestada quando se envolveu na confusão, A moto foi apreendida e ficará na 1ª DM até o fim da investigação. O seu proprietário, por sua vez, será a última testemunha a prestar depoimento, o que pode acontecer ainda hoje.
Todo o episódio começou na Rua Santa Luzia, quando o sargento tentou ultrapassar o Pálio que trafegava em marcha lenta pela faixa da direita. E a discussão se estendeu até o semáforo em frente ao Colégio Patrocínio de São José, onde as imagens foram gravadas. Elas mostram o PM descontrolado, dando chutes no carro e sacando uma pistola contra o casal que estava no veículo. "O sargento falou que realmente perdeu a paciência e foi reclamar com o motorista, mas alegou que foi ofendido pela vítima. Já o motorista disse que foi o sargento quem proferiu as ofensas. A discussão continuou eles pararam no semáforo e foi quando o policial sacou a arma. Ele disse que fez isso porque pensou que o motorista também estivesse armado naquela hora", relatou Zulnária.
O casal relatou à polícia que estava desarmado e que o sargento ficou bastante nervoso ao ameaçar o casal, apesar de não se identificar como PM. Ele teria dito a seguinte frase: "Eu só não te mato porque a sua mulher está aqui". Mas, segundo a delegada, este não foi o teor exato da frase. "O que os envolvidos disseram é que, durante a discussão, a esposa do motorista teria pedido ao homem pra não matar ele, e o sargento se dirigiu a ela dizendo que não ia matar ninguém em consideração a ela", esclareceu, dizendo ainda que a agressão física se configurou "porque o dono do Pálio alega ter levado um tapa no ombro, que não deixou marcas, e o policial admitiu que deu um empurrão no motorista".
Foi confirmado ainda que a pistola que aparece na mão do sargento durante a briga pertence à Polícia Militar e estava com ele, mesmo estando fora de serviço. "Nós, policiais, temos porte de arma e somos autorizados a ficar com as armas da corporação durante a folga para podermos agir em situações de emergência, como um roubo, um sequestro, etc. Uma pena que, neste caso, o sargento agiu em uma situação errada. Configura-se aí uma infração administrativa que vai ser tratada conforme o regulamento da Polícia Militar", explicou ela. A pistola foi apreendida pelo Comando da PM, que pode pedir a abertura de um processo por crime militar.  (Gabriel Damásio)

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