Movimento 'Não Pago' acusa Guarda Municipal de violência contra ativistas

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Integrantes do movimento ‘Não Pago’ acusam a Guarda Municipal de Aracaju (GMA) de promover ações de tortura contra usuários do transporte público que protestaram, na tarde da última sexta-feira, contra o reajuste de 15% na tarifa de ônibus. Conforme relatos dos coordenadores, o fato ocorreu por volta das 20h no bairro Sol Nascente (zona oeste) quando uma guarnição da GMA abordou dois manifestantes e os obrigaram a gravar vídeos, pedindo desculpas à corporação por terem utilizados frases de pressão social consideradas ofensivas. Durante a conduta dos agentes, duas manifestantes teriam recebido intimações para saídas íntimas com os servidores da Prefeitura de Aracaju. A suposta abordagem teve duração de aproximadamente 15 minutos.
A direção da Guarda Municipal afirma que as denúncias feitas pelo grupo não procedem com a verdade dos fatos. Em nota, o diretor do órgão, coronel Enilson Aragão, informou ao JORNAL DO DIA que duas pessoas foram detidas e encaminhadas à Delegacia Plantonista por estarem portando papelotes de drogas. Enilson garantiu que não houve nenhum tipo de abuso de poder durante a ação da GMA e que todo o efetivo está integralmente preparado para atuar junto à sociedade e orientado a evitar quaisquer atos considerados ilegais. Ainda de acordo com o diretor, os guardas municipais vêm sendo ofendidos e caluniados por integrantes do ‘Não Pago’ durante os atos públicos realizados na capital.
"Todos os procedimentos legais foram feitos pela Guarda Municipal para evitar depredação do patrimônio público, como também, de todos os cidadãos aracajuanos. Fizemos a nossa parte como servidores profissionais e reforçamos que não houve nenhum tipo de conduta irregular como vem declarando este movimento que insiste em proferir xingamentos e tentar botar a população contra a GMA", declarou o coronel. Ciente de que nada do que foi apresentado pelo Não Pago é verídico, Enilson disse estar disposto a falar de forma transparente sobre todos os casos envolvendo a Guarda e os manifestantes.
Recentemente, a corporação interceptou três jovens que carregavam pedras em mochilas. Segundo Enilson, elas seriam usadas provavelmente para destruir o patrimônio municipal. "Essa já foi a quarta ou quinta vez que infelizmente nos deparamos com uma situação desse tipo. Apesar de todos indícios levar para a prática de vandalismo, as pedras são detidas e os flagrados são liberados. É preciso enaltecer que alguns tentam plantar este tipo de informação falsa para tentar botar a população de Aracaju contra nós, mas isso não será possível porque todos reconhecem a qualidade operacional de todos os agentes que constroem a Guarda Municipal", pontuou.

Sem surpresa – Ontem, o coordenador do movimento ‘Não Pago’, Flávio Marcel Menezes, disse não ter se surpreendido com as respostas do diretor da GMA. Rebatendo as críticas de Enilson, ele afirmou que não precisa replicar este assunto porque a verdade é transparecida através de imagens. "Ninguém quer botar os usuários desse transporte público caro e falido contra a Guarda, nem a Prefeitura. O fato é que as fotos, inclusive publicadas por vocês do JORNAL DO DIA, mostram a forma como estes guardas do prefeito João Alves tratam os manifestantes. Somos recebidos com balas de borracha e spray de pimenta. Essa é a polícia preparada? O que mais indigna a gente é que o prefeito faz pouco caso para este tipo de situação lamentável", disse.
Sobre o episódio da possível tortura, Flávio Marcel destacou que ela se trata de uma prática de tortura física e psicológica bastante praticada pela GMA. Ele ainda garantiu que pertences das duas jovens abordadas e materiais de divulgação do movimento foram levados pelos guardas.
"Eles imobilizaram os manifestantes, colocaram a lanterna na cara e gravaram vídeos com o pessoal pedindo desculpas. Só um estava com o selo de identificação. Este era ‘Barbosa’. Levaram camisas, bottons, materiais, panfletos do movimento e roubaram pertences. Estávamos simplesmente realizando um ato no centro da cidade, dialogando com a população. Esse é um direito que temos, o de poder ir às ruas para manifestar nossa indignação contra o aumento da passagem", afirmou.

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