Moradores fecham rodovia no Abais

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Moradores do povoado Caueira, município de Itaporanga D’Ajuda, bloquearam na manhã de ontem a rodovia estadual SE 100 com o propósito de chamar a atenção dos gestores públicos quanto à necessidade emergencial de qualificar a infraestrutura das vias que cortam a região. O ato público foi idealizado ainda na tarde do último domingo após um acidente envolvendo carro e bicicleta resultar no óbito do ciclista Janailson Casimiro Santos que seguia para o trabalho. Durante diálogo com agentes da Companhia Estadual de Policiamento Rodoviário (CPRv), que tentavam convencer os manifestantes a desobstruir a pista, a informação apresentada foi que, desde 2013 a população pleiteia por redutores de velocidade e ampliação de fiscalizações junto aos motoristas, mas nenhuma reivindicação foi atendida pelo Estado e prefeitura.

Diante da demora em atender os pleitos populares e garantir mais segurança para pedestres e ciclistas, passava das 9h quando os moradores disseram permanecer na rodovia por tempo indeterminado. Iniciada por volta das 6h40, a ação só chegou ao fim às 12h. Durante esse período foi possível registrar congestionamento superior a dois quilômetros em ambos os sentidos. Conhecida por seu mar calmo e praia tranquila nos períodos não festivos e sem feriados prolongados, a Caueira transformou-se em mais um ponto turístico do litoral Sul do estado, ao ponto de recepcionar dezenas de turistas de diversos estados brasileiros a cada mês. Porém, paralelo a imprudência dos motoristas, outras desordens tem sido registradas por moradores e donos de casa de veraneio.

O auxiliar de pedreiro e serviços de jardinagem, Ancelmo dos Santos, apoiou a mobilização e espera que dessa vez a prefeitura adenda aos pedidos apresentados durante a interdição. "Aqui as vezes que é uma terra sem lei. É som alto a madrugada toda, motorista passando correndo onde tem muita criança e trabalhador indo pra casa do patrão de bicicleta. Algumas pessoas saem de Aracaju e outras cidades e quando chegam aqui parece que esquecem das leis. É preciso construir quebra molas e aumentar a polícia porque às vezes tentamos dormir e não conseguimos porque os sons de carro não deixam", disse. Atualmente, apenas dois agentes militares atuam na área a cada escala de serviço. Para os manifestantes esse número é insignificativo diante da demanda de serviços.

O grupo de manifestantes exige também a instalação de radares a fim de controlar de forma mais severa os motoristas que insistem em não respeitar a velocidade permitida por lei para as estradas estaduais. De acordo com a faxineira Janaina Meire dos Santos, esse mesmo pedido já foi feito outras vezes, mas nunca foi atendido. "Como vocês podem perceber, nós nunca recebemos esses radares nem aqui no trevo da Caueira, muito menos antes, ou depois já perto do Abaís. Aqui passa muita criança, idoso e trabalhador, mas ninguém respeita nós e a prefeitura não faz nada. Enquanto isso mais acidentes e mortes acontecem. Se estamos fechando a pista é porque estamos com medo de morrer também", declarou.

Conforme informado pela Assessoria de Comunicação da administração municipal de Itaporanga, faltam recursos financeiros para atender este tipo de anseio dos populares, porém garantiu que até a próxima quinta-feira, 29, uma equipe técnica deve seguir até o local indicado para estudar maneiras alternativas de evitar que outras mortes seja contabilizados após sinistros trágicos. Quanto aos abusos sonoros registrados com frequência na praia, nenhuma medida foi apontada pelos gestores. A Ascom informou ainda que a manifestação de ontem tem fundamento partidário feito para prejudicar a atual gestão. Ao ter conhecimento das respostas da prefeitura, os moradores garantem nova mobilização caso os pleitos não sejam devidamente atendidos.
"Do jeito que está não tem condições nenhuma de continuar. Ou muda e melhora logo esses problemas, ou vamos continuar nas ruas mostrando a nossa indignação. Vai ser assim até que o Ministério Público ou o Estado busquem ajudar a gente para resolver esses casos. Se fosse o filho de um dos secretários ou da prefeita, hoje já teria quebra molas e radares" lamentou o micro empresário João Barros.

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