Gabriel Damásio
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Agentes da Polícia Federal fizeram na manhã de ontem uma operação de busca e apreensão de documentos e computadores na sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), no bairro Jabotiana (zona oeste da capital), e em quatro residências ligadas ao ex-deputado federal Bosco Costa (Pros), que foi diretor-presidente da repartição entre 2011 e 2014. As diligências fazem parte da "Operação Voto Dirigido", deflagrada para investigar a denúncia de que Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) teriam sido distribuídas ou facilitadas ilegalmente em troca de votos, durante a campanha eleitoral de 2014 – na qual Bosco se candidatou a um segundo mandato na Câmara.
Os mandados de busca foram expedidos pelo juiz Marcel de Castro Britto, da 36ª Zona
Eleitoral, que colocou o processo em segredo de justiça e proibiu a divulgação de qualquer informação relativa ao caso, conforme o que foi dito ontem pela assessoria de comunicação da PF em Sergipe e pelo atual diretor-presidente do Detran, Edgard Silveira. Apesar disso, os jornalistas puderam acompanhar o trabalho dos agentes federais, que chegaram ao Detran por volta das 6h30 e ali permaneceram por quase quatro horas.
Uma equipe de sete agentes e dois delegados entrou em vários setores da sede do Detran, incluindo o Gabinete da Presidência, a Assessoria Geral de Tecnologia da Informação (Agin), a Gerência de Habilitação (Gerhab) e a Coordenação Geral de Exames (Cogex), bem como seus respectivos setores de perícia, dados, exames eletrônicos e exames teóricos. Em todos os locais, foram apreendidos cinco computadores e centenas de documentos que foram recolhidos em todas as salas visitadas. Outros dados foram copiados de outros computadores para pen-drives dos delegados. Todo o material foi levado para a Superintendência Estadual da PF, no Siqueira Campos (zona oeste) e passará por uma perícia.
Durante a operação, os policiais se recusaram a falar com os jornalistas e, com expressão de impaciência, sequer olhavam para eles, alegando que não poderiam dar nenhuma informação. Com mais cortesia, o diretor Edgard Silveira recebeu a imprensa em sua sala e alegou que foi orientado pelos agentes a não dar informações, por conta da ordem judicial, mas confirmou que as investigações são relativas à gestão de Bosco Costa no Detran e, como só assumiu o cargo anteontem, poderia falar sobre o assunto mais adiante.
As buscas da Polícia Federal também aconteceram no apartamento do ex-deputado, no bairro 13 de Julho (zona sul), onde os policiais recolheram documentos e encontraram duas armas de fogo com o deputado, que acabou detido e levado para a sede da PF, mas liberado no meio da tarde (leia mais no boxe). Foram visitadas ainda uma casa e uma fazenda do ex-deputado em Moita Bonita, reduto eleitoral de Bosco, e um escritório na cidade de Frei Paulo. A casa da ex-prefeita Leda Costa, irmã o ex-deputado, também foi alvo das buscas ordenadas pela Justiça. Em todos os locais, houve igualmente a recolha de computadores e documentos.
As denúncias de concessão irregular das CNHs começaram a ser feitas em setembro de 2014, um mês antes das eleições gerais, e foram feitas por políticos ligados à oposição, como o vereador Renilson Félix (DEM) e o então deputado estadual Gilmar Carvalho (SDD), que chegou a entregar ao Ministério Público Federal (MPF) uma lista com motoristas e autoescolas que teriam sido beneficiadas pelo suposto esquema. Bosco já havia deixado a presidência do Detran e sempre negou as acusações.


