PRF e MST trocam acusações sobre bloqueio

Durante a tarde de ontem, houve uma troca de acusações entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Movimento dos Sem-Terra (MST), responsável pelo bloqueio da BR-101 em Itaporanga e outros sete trechos da rodovia. A PRF afirma que pode responsabilizar o movimento na Justiça, porque o protesto não foi comunicado às autoridades com antecedência, além de ter contribuído diretamente para o acidente de ontem. O MST, por sua vez, lamentou o acidente, mas negou qualquer responsabilidade, disse que o bloqueio foi comunicado com antecedência e considerou a acusação "injusta".

O porta-voz da PRF em Sergipe, inspetor Anderson Sales, disse que uma investigação rigorosa será aberta para determinar as causas do acidente. De acordo com ele, o laudo pericial do acidente deve ficar pronto em 30 dias, levando em conta a interferência do bloqueio, as condições da pista e o estado mecânico dos veículos envolvidos, além da legalidade do protesto. "Este perito vai apontar o nível de responsabilidade de cada um dos envolvidos, porque houve uma sequencia de falhas e irresponsabilidades. E o evento foi de homicídio. Houve três mortes. Se foram dolosas ou culposas, isso será apurado com cuidado. Assim que terminarmos, vamos oficiar o Ministério Público, a Polícia Civil e a vara judicial competente", confirmou.

Anderson declara que a PRF só ficou sabendo dos protestos do MST poucas horas antes, através de mensagens nas redes sociais e notícias na imprensa local. "O que a Polícia Rodoviária pode afirmar agora de concreto é que esse movimento, esse bloqueio não foi informada oficialmente à autoridade competente", criticou Sales, frisando que equipes da própria PRF iriam fazer um trabalho de orientação e sinalização dos trechos bloqueados.

Resposta – Em nota, a Direção Estadual do MST em Sergipe negou qualquer responsabilidade no acidente ocorrido em Itaporanga e disse que a acusação da PRF "é inverídica e tendenciosa à criminalização do movimento". Assegura ainda que os bloqueios na BR-101 foram comunicados em um email enviado ao gabinete da Superintendência da PRF-SE, tendo como conteúdo o dia, o horário, a duração e todos os pontos de bloqueio, o que foi divulgado pela imprensa e pela página da própria polícia no Facebook.
O movimento disse também, que dois agentes da PRF estiveram no quilômetro 111 e acompanharam o protesto logo em seu início, às 7h40, mas o bloqueio só aconteceu às 8h50, com a chegada de mais seis policiais. "Faz-se necessário, também, evidenciar a impossibilidade de se visualizar o local do acidente – do exato local interditado – quanto também o contrário", completa a nota.

"Os fatos relatados acima comprovam a conduta devida e necessária do MST, não sendo justa a responsabilização, por trágico episódio, dos que lutam por um país melhor. Aproveitamos para denunciar, a partir dos fatos narrados os quais se contrapõem aos veiculados por parte da imprensa sergipana, que mais uma vez a informação é distorcida e não mostra os verdadeiros fatos à sociedade", encerra o comunicado do MST, que prestou solidariedade aos familiares e amigos das vítimas do acidente. (Gabriel Damásio).

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