Recuperadas 43 toneladas de cargas roubadas

Três homens foram presos nesta semana pela Polícia Civil, acusados de roubar e desviar cargas de caminhoneiros que passavam na região de Cristinápolis (Sul), entre Sergipe e Bahia. O sergipano José Cláudio Alves da Silva, o "Caio", 28 anos, e os baianos Gilton Santos Prudente, 31, e Dirceu de Jesus, 35, e foram flagrados com quatro carretas com cargas de adubo, ureia, medicamentos e produtos eletroeletrônicos. Os três acusados foram investigados por equipes de uma nova unidade especial da polícia: a Delegacia Especializada de Repressão ao Roubo de Cargas (DCarga), criada há cerca de 30 dias.

A investigação, comandada pelo delegado Cristiano Barreto, começou no fim de fevereiro, quando um caminhão que transportava cerca de R$ 60 mil em cargas de adubo e ureia foi roubado, perto da divisa com a Bahia. A partir dos levantamentos, os policiais identificaram os responsáveis e seguiram o trajeto onde o material seria entregue. "Quando identificamos o crime, seguimos o trio, que ao retornarem da cidade de Paripiranga, na Bahia, pararam na cidade de Cristinápolis para comemorar a prática do crime, momento em que efetuamos a prisão em flagrante", explicou Cristiano. Ainda segundo ele, a carga de adubo, dividida em três caminhões, tinha sido vendida pelos acusados a um fazendeiro da cidade baiana, que pretendia usá-la para plantar a próxima safra de alimentos e foi indiciado por receptação. A carga foi trazida de volta a Sergipe e devolvida ao seu verdadeiro dono.
O delegado da DCarga disse que Gilton, Dirceu e "Caio" também participaram do assalto à carga de eletrodomésticos, que também tinha remédios e pastas de dente. O motorista deste caminhão foi rendido e sequestrado em Umbaúba, na noite seguinte ao roubo da carga de ureia. "Eles renderam o caminhoneiro e o levaram até a cidade de Indiaroba, onde abandonaram a vítima e seguiram para a cidade de Loreto, na Bahia, e antes que o Boletim de Ocorrência fosse registrado, nós conseguimos recuperar a carga", relatou Barreto. A carga foi parar no povoado Brasilia, em Lagarto, e seu receptador já foi identificado, mas não encontrado.

A polícia apurou que a quadrilha tem a participação de, pelo menos, mais três pessoas, que teriam ficado com as armas usadas nos assaltos. Cristiano informa que a quadrilha já age há muito tempo na região e costuma atacar os caminhoneiros com muita violência, agressões físicas e ameaças com armas pesadas. "Nós temos informações que essa quadrilha é grande e dos três que foram presos, o ‘Caio’ e o Gilton atuavam como lideres", relatou, explicando ainda que José Cláudio já foi preso outras vezes por desviar e revender as cargas conseguidas com os caminhoneiros.
"Ele tinha uma prática diferente: aliciava os motoristas na passagem do Estado, para que eles cedessem parte da carga e registrassem um Boletim de Ocorrência como se tivesse ocorrido um roubo, quando na verdade, a carga foi desviada. ‘Caio’ tinha um supermercado na cidade de Umbaúba, onde revendia os produtos desviados roubados. Com a migração para o assalto, ele fechou o comércio e passou a tomar as cargas e distribuir para vários comerciantes na região", explicou o delegado.

A DCarga – A nova delegacia especializada surgiu de um dos núcleos de investigação do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que apurava os crimes de roubo de carga em conjunto com outras delegacias. Ela funciona no Capucho (zona oeste), ao lado da 8ª Delegacia Metropolitana e foi surgiu para centralizar os trabalhos de investigação, que corriam em paralelo com outras delegacias. Outro motivo foi o crescimento destes casos em Sergipe. (Gabriel Damásio)

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