Comércio se prepara para o Dia das Mães

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

O movimento tímido de clientes em busca de presentes alusivos ao Dia das Mães tem preocupado o setor comercial em Aracaju. Diante da perspectiva de 5% no aumento das vendas, se comparado ao mesmo período do ano passado, empresários e vendedores aguardavam que o atual momento fosse de movimento mais intenso nas lojas, mas o cenário econômico segue em sentido oposto. Nas lojas de calçados, considerado o principal seguimento procurado pelos filhos, já é possível se deparar com promoções e facilidades de pagamento que impressionam aqueles que desejam adquirir algum produto. Mesmo com descontos que já chegam a 30% a vista, até o movimento de clientes em período de pesquisa não satisfaz os lojistas.

Conforme avaliação da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Sergipe (FCDL/SE), todos os anos o Dia das Mães é o segundo melhor período festivo para faturar economicamente, perdendo apenas para os festejos de final de ano, em especial o Natal. Apesar das boas expectativas para o principal período de vendas no varejo, o setor empresarial mostra-se incomodado com decretos governamentais que, segundo os vendedores, atrapalham o desenvolvimento econômico. Diante de índices ainda negativos, gerentes acreditam que o ponto facultativo dado pela Prefeitura de Aracaju, Assembleia Legislativa e Tribunal de Justiça pode ter contribuído diretamente para a baixa de consumidores no Centro da capital, principal polo comercial do estado.

Experiente no ramo, o empresário Paulo Torres Sampaio, de 43 anos, acredita que a partir de amanhã, quando os aracajuanos devem voltar à rotina normal de trabalho e estudos, a situação comece a melhorar para aqueles que dependem do comércio. O lojista disse não se preocupar com as estatísticas atuais. "Não acredito que esse baixo movimento deve continuar nos preocupando. Ano passado, que foi um ano atípico, de copa do mundo no Brasil, vendemos dentro do esperado, imaginem esse ano. O problema está no ponto facultativo que a prefeitura deu contra a nossa vontade. Esperamos que a partir desta quarta-feira a situação comece a melhorar, caso contrário, será um Dia das Mães de prejuízo para muitos", disse.

Paralelo à busca por sandálias e sapatos, a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Sergipe ainda aponta as roupas, equipamentos eletrônicos, e os tradicionais produtos cosméticos como outros seguimentos com ampla procura. Flores e cestas de café da manhã, tradicionalmente adquiridos em primeiro lugar durante décadas, passaram a nem aparecer no ranking dos cinco presentes mais adquiridos.
Aproveitando a calmaria dos calçadões das ruas Laranjeiras e São Cristóvão, o estudante Michell Almeida foi em busca do presente ideal para dar à mãe e a avó. "Todos os anos eu sempre venho 15 dias ou até 20 dias antes porque gosto de presentear bem as minhas duas mães. Eu sabia que o movimento estaria fraco hoje, e por isso eu vim", declarou.
 
Shoppings – Segundo levantamento da Federação Nacional do Comércio, para se ter uma ideia da avalanche de compras que deve vir aos milhares de shoppings espalhados pelo Brasil, os empresários calculam que, nos últimos três dias de venda para o dia 02 de maio, mais de 60 milhões de pessoas devem circular por estes estabelecimentos em busca de presentes. De acordo com os últimos dados da Serasa Experian, o investimento dos filhos com os presentes deve variar entre R$51 e R$100, pelo menos para a grande maioria dos brasileiros (38%). Já para 23% das pessoas o valor médio será de até R$50, e outras 26% comprarão os presentes mais caros, entre R$101 a R$200.
"Também acredito que a movimentação de clientes deve crescer muito daqui pra frente e que iremos até ultrapassar essa meta de venda. Eu como servidor iria adorar um final de semana assim, prolongado, mas para quem depende do comércio, seja no shopping ou nos centros comerciais essa pausa foi negativa para a economia sergipana", disse Bianca Passos, gerente de uma loja de cosméticos.

Instalado em um shopping no município de Nossa Senhora do Socorro, o estabelecimento gerou empregos temporários: "Além de querer vender mais, também queremos que nossos clientes sejam bem atendidos. Contratamos duas funcionárias temporárias para este período e agora é só esperar pela saída de produtos dos estoques", pontuou Bianca.
Até o final da tarde de ontem a direção da CDL Sergipe não informou se haverá alteração no horário de funcionamento das lojas instaladas no Centro de Aracaju.

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