Milton Alves Júnior
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Pela segunda vez em menos de cinco dias bandidos invadiram o mercado central e levaram mais de 350 quilos de carnes que estavam armazenados em frízeres trancados com cadeados. Sem segurança ostensiva nas dependências do Mercado Albano Franco, Centro de Aracaju, feirantes dos mais diversos seguimentos comerciais são obrigados a amargar prejuízos cada vez maiores. No seguimento de carne suína, o prejuízo, apenas na barraca do feirante Alexandre do Porco, foi estimado em mais de R$ 1500. Além de subtrair 65 quilos do alimento, os marginais levaram um estojo de facas avaliado em R$ 550. A Guarda Municipal de Aracaju é responsável pela fiscalização, mas no momento da invasão ninguém sabe, ou ninguém viu onde estavam os agentes.
A crítica contra o comando da GMA surge da indignação de centenas de comerciantes que assistem todas as semanas a repetência de fatos semelhantes protagonizados na área pública que possui uma possível Prefeitura de Aracaju omissa ao caso. Na manhã de ontem, poucas horas após se deparar com o furto, Alexandre lamentou a recorrente ocorrência e disse não aguentar mais pagar altos impostos e taxas de energia cobradas justamente pelo governo municipal, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável por administrar o espaço. Na madrugada da última quinta-feira, 23, para a sexta-feira, 24, o comerciante perdeu 40 quilos de carne suína. Já na madrugada de sexta para sábado foram mais 25 quilos e o conjunto de facas.
Para ele, apenas uma intervenção da Guarda Municipal, a mando do Ministério Público Estadual (MPE), poderia resolver o problema ainda neste mandato do prefeito João Alves Filho. "Estamos assistindo uma confusão enorme com essa questão dos ambulantes que devem subir pra cá. O mínimo que a gente achava era que a segurança da guarda iria melhorar, mas não, só piora. Agora uma questão: o bando entra aqui, faz barulho para destruir os cadeados e onde estão estes guardas? Dormindo ou compartilhando com o arrastão? Não quero induzir nada a ninguém pensar que os agentes sabem desse roubo, mas não custa a corregedoria investigar", declarou.
As suspeitas apresentadas por Alexandre também são analisadas por dona Helena Cerosine, que trabalha no mercado há 18 anos. Segundo a vendedora, em um passado não muito longe, uma onda de roubo de sacos de farinha estava intrigando os gestores públicos. Ao analisar imagens e colher depoimentos, técnicos da secretaria de segurança pública identificaram que agentes de fiscalização do próprio mercado estavam ‘colaborando’ ou ‘facilitando’ a prática ilícita. Apesar dos indícios serem semelhantes, a vendedora de frangos não acredita que o final da história será igual devido à junção de fatores primordiais. "Primeiro porque a gente procura o diretor daqui para denunciar o caso e ele não dá importância; e segundo porque a Guarda Municipal manda resolver com a Emsurb", lamentou.
Ao todo, nas últimas 72 horas oito frízeres foram violados. Além das centenas de carnes, o bando que promoveu o arrastão ainda levou duas balanças digitais no valor de R$ 900, cada; conjuntos de pano e toalha; e demais utensílios de trabalho como ganhos para grandes peças de carne e tabuleiros onde os alimentos são fatiados. "Dessa vez eu perdi 10 quilos de frango, uma caixa de toscana com 15 quilos e alguns outros produtos. Infelizmente o prefeito só assiste o jogo de empurra-empurra entre a Guarda Municipal e a Emsurb e nós ficamos no prejuízo. Enquanto isso, as cobranças de imposto, energia e água não param de chegar. Somos roubados de todos os lados", denunciou.
Contraponto – Ao ser comunicada do fato, a equipe do Jornal do Dia imediatamente tentou conversar com os agentes da Guarda Municipal que estavam atuando no mercado durante a manhã de ontem. Visivelmente insatisfeitos com a abordagem, resumiram-se a informar que não possuíam autorização superior para conceder entrevistas. Pelos oficiais foi dito ainda que apenas a direção do mercado estaria apta para repassar qualquer informação quanto ao arrastão. Confirmando a denúncia apresentada pelos feirantes quanto ao popular empurra – empurra de problemas articulado entre órgãos do mesmo campo administrativo, a Emsurb declarou que a Guarda Municipal é que deve responder pelo fato, já que a corporação é responsável pela fiscalização interna e externa.
"Sabe em que isso vai dar? Em nada. Nós perdemos os nossos quilos de carne e frango, ficamos no prejuízo e o jeito é levar a vida e tentar reparar essas perdas. Sabemos que a Prefeitura de Aracaju não vai fazer nada para mudar essa realidade, mas torcemos que agora, com o apoio da imprensa, o MPE ou Defensoria Pública, sei lá, possa ajudar a gente", clamou a também vendedora, Rosa Maria.


