Camelôs não ocupam área reservada pela PMA

O espaço destinado para os ambulantes que foram retirados das ruas e calçadas do centro comercial de Aracaju continua praticamente vazio. Na manhã de ontem, quando o espaço já estava pronto para acomodar mais de 100 barracas, apenas cinco carrinhos estavam presentes na área demarcada por funcionários da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Conforme avaliação da Associação dos Ambulantes da Força do Trabalhador, os trabalhadores alegam que o número de consumidores vai reduzir mais de 90% e por isso permanecem resistindo a assumir o novo local apresentado pela Prefeitura de Aracaju. A fim de evitar novas invasões, dezenas de guardas municipais foram posicionados em ruas antes ocupadas pelos trabalhadores autônomos.

Há 15 anos trabalhando na área, considerada nova pela prefeitura, a vendedora Vânia Dias também reclamou da mudança e cobrou medidas qualificativas que foram apresentadas pelo prefeito durante uma visita ao ambiente. De acordo com a vendedora de charque, a promessa inicial era que o galpão fosse transformado em uma grande praça de alimentação devido à vista para o rio que dispõe o local. Ela também acredita que os ambulantes, caso decidam ocupar o mercado, não devem passar mais que dois meses. "Só eu e Deus sabemos o pão que o diabo amassou e que fui obrigada a comer aqui. Nada aqui presta, o ideal era uma praça de refeições, mas já vi que o prefeito decidiu mudar de planos", afirmou.

A poucos metros de onde os ambulantes devem se posicionar existe outro grande grupo de vendedores que compartilham com as declarações de Vânia Dias. Entre estes comerciantes está o vendedor de roupas e calçados, Eduardo dos Santos, que disse não suportar mais a grande concorrência diante de uma resumida oferta de clientes que, a cada ano, deixam de dirigir-se ao compartimento superior do mercado. "Ninguém quer vir comprar aqui, e os colegas vendedores também já pensam em ocupar outro mercado. Aqui ninguém vende nada, nossa situação é horrível e mesmo assim a prefeitura ainda manda mais 114 vendedores pra cá. É não ter senso de caridade com aqueles que querem trabalhar de forma honesta", lamentou.

Já pelo presidente da Associação, Antônio Marcos Vieira Cruz, a tendência é que a partir de amanhã os trabalhadores ambulantes voltem a pleitear a construção do camelódromo, promessa de campanha do prefeito João Alves Filho em 2012. Caso o pleito não seja atendido, a perspectiva é que outros atos públicos sejam realizados até o final deste mês. "Não podemos aceitar de braços cruzados que essas perdas para o trabalhador sejam impostas pelo prefeito e os diretores da Emsurb. Nós queremos progredir, e ocupar aquela parte do Albano Franco é assinar o termo de falência comercial. Não vamos ficar sentados depois de tanta luta e acreditar no projeto de governo que tinha como slogan a ‘solução’", avisou.

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