Milton Alves Júnior
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Por unanimidade os professores da rede estadual de ensino aprovaram na tarde de ontem o projeto de paralisação geral e por tempo indeterminado no Estado de Sergipe. Reunidos na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, a categoria compareceu à assembleia extraordinária que foi coordenada pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese). A proposta foi acatada pelos servidores após sucessivas tentativas de acordo junto ao secretário Jorge Carvalho do Nascimento, e não obtenção de respostas que agradassem os docentes. Ao todo, mais de 400 professores representantes de todos os municípios sergipanos compareceram ao debate e expuseram os principais motivos, os quais fizeram apoiar a greve unificada.
Na luta pelo reajuste salarial de 13,01% para todos os níveis, os professores reivindicam também a qualificação estrutural das unidades escolares; contratação de novos professores para as salas de aula, e não para servir administrativamente a Secretaria de Estado da Educação (Seed); ampliação da segurança em todas as instituições; além da não municipalização de 40 escolas dedicadas ao Ensino Fundamental; e pela abertura de debates entre os gestores públicos e a categoria. Entendendo a necessidade de agilizar as mobilizações, os grevistas já cruzaram os braços na manha de hoje, e começam a peregrinação grevista em todos os eventos públicos com confirmação da presença do governador Jackson Barreto de Lima.
Nos minutos que antecederam a votação, os professores foram convidados para debater a situação administrativa dos governos federal, estadual e municipal. Entre as principais queixas apresentadas estava uma possível ação monossilábica de Jorge Carvalho quando decide receber representantes do Sintese. Os professores debateram também citações polêmicas feitas pelo secretário desde que assumiu a pasta em janeiro deste ano. "Isso quando ele recebe, porque na maioria das vezes ele responde as nossas reivindicações com apenas ofícios. Quando ele decide receber a gente na sua casa (Seed/Aracaju) ele não fala outra coisa a não ser: Sim, Não ou talvez. Infelizmente temos um secretário que aponta a nossa educação como o inferno. Se o inferno existe é porque ele está dentro", discursou o professor Jorge Henrique.
Responsável por presidir a assembleia, a professora Ângela Melo, presidente do Sintese, destacou a participação coletiva dos professores e enalteceu a necessidade de unificar a categoria junto ao programa de atos públicos a serem realizados em todos os 75 municípios. Para ela, o sucesso do pleito só deve ser alcançado caso a luta continue. "Com o professor na rua, a luta vai continuar. Essa é a nossa meta para deter com essas mazelas que os governos têm aprovado contra os trabalhadores. Em todo o Brasil os professores estão nas ruas e aqui não poderia ser diferente. Nossa escala de ações está intensa e vamos cumpri-la até que nossas reivindicações sejam aprovadas", avisou.
Programação – Na manhã de hoje a categoria deve se reunir no município de Nossa Senhora da Gloria, onde Jackson Barreto participa de atividades administrativas. Estão previstas ainda ações sindicais nas intermediações do Palácio dos Despachos; marchas pelo centro comercial de Aracaju; mobilizações nas cidades do interior; e intervenção grevista na porta da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). Com o apoio integral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), os professores voltam a se encontrar no mesmo Instituto Histórico na próxima quarta-feira, 20.
Presente no ato, a professora Ana Lúcia de Menezes, deputada estadual pelo PT, lamentou a situação que vivencia os jovens sergipanos e criticou a postura administrativa do atual governo estadual. "Tento entender como chegamos a esse ponto, mas não consigo. Jackson precisa rever seus conceitos porque ele sempre foi aberto para diálogos e agora mostra-se indisponível para ouvir os professores. Infelizmente a situação das nossas escolas está em decadência e pouca, ou nenhuma melhoria foi apresentada pelo estado", declarou a parlamentar.
Ainda de acordo com Ana, escolas estão abandonadas, materiais didáticos não chegam aos alunos, as refeições são de baixa qualidade e ainda por cima a culpa é dos professores. Essa semana o governo divulgou uma campanha midiática informando a população que os salários dos professores variam entre seis e dez mil reais. Essa medida revoltou a categoria que já avaliava a possibilidade de greve.
"Talvez essa campanha no rádio e na TV foi a gota d’água que faltava para que a paralisação fosse deflagrada. Infelizmente muitos problemas são gerados pelo estado e a culpa ainda é destinada a nós professores. Faltam professores por mais de quatro meses e quando a nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) aponta saldo negativo para Sergipe eles (governantes) apontam os docentes como responsáveis. A greve foi inevitável e eu apoio a minha categoria", pontuou a deputada. De acordo com a direção do Sintese, uma comissão formada por sindicalistas encontra-se disponível para participar de reuniões estratégicas junto aos secretários, governador e vice-governador.


