Gabriel Damásio
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Alunos de escolas profissionalizantes da capital estão amedrontados com a ação de criminosos que perderam o senso de ousadia e começam a invadir as salas de aula para assaltar. O mais recente exemplo aconteceu às 20h30 de anteontem no Anexo 5 do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac/SE), na Avenida Ivo do Prado (Centro), onde já funcionou o Colégio do Salvador. Três criminosos, sendo dois deles armados com revólveres, entraram na secretaria e em uma das salas, onde estavam cerca de 30 alunos do curso de Vigilante e Porteiro. Em menos de três minutos, eles renderam todas as vítimas e fizeram um verdadeiro saque, levando celulares, dinheiro, joias e documentos pessoais.
O caso foi registrado na Delegacia Plantonista e confirmado por vários alunos, os quais preferiram não se identificar. Eles relataram que os três bandidos, usando bonés e camisas regata, chegaram andando no anexo e, primeiro, pararam diante da recepção, onde perguntaram a um porteiro sobre os cursos que ali são realizados. Ao ouvirem que eles deveriam se dirigir até a central do Senac, que também fica na Ivo do Prado, os criminosos então anunciaram o assalto e começaram a render os funcionários, a começar pelos vigilantes que trabalham desarmados.
Imediatamente, o trio se dividiu. Um dos que estavam armados entrou na sala da coordenação e ficou vigiando a funcionária que estava lá dentro, dizendo a todo tempo: ‘Fica aí de boa (sic), que é um assalto’. Os outros dois foram direto para a sala do curso de vigilantes, onde estavam os alunos e dois professores. Todos foram obrigados a erguer os braços ou deitar no chão enquanto a dupla pegava os pertences das vítimas. Oficialmente, foi registrado o roubo de seis telefones celulares, mas os alunos e funcionários ouvidos pelo JORNAL DO DIA afirmam que mais de 20 aparelhos foram levados, além de relógios, correntes, documentos, dinheiro, cartões bancários, carteiras e mochilas, entre outros pertences.
Uma das funcionárias relatou que o terceiro bandido foi amarrar o tênis e, ao levantar a cabeça, se assustou ao ver duas cadeiras vazias na frente da refém, pois imaginou que ali haviam duas pessoas e que estas teriam saído da sala para chamar a polícia. Dessa forma, o marginal correu até a sala de aula e gritou para que os comparsas saíssem dali. Os três então saíram do curso, caminhando em direção ao centro. Algumas vítimas tentaram atrás dos assaltantes enquanto os outros chamaram a Polícia Militar. Uma viatura do 8º Batalhão (8º BPM) chegou ao local em menos de cinco minutos e fez buscas, mas não conseguiu encontrar os bandidos. A suspeita é de que eles teriam entrado em um carro que supostamente os aguardava na esquina da Ivo do Prado com a rua Maruim.
Existe outra suspeita: a de que os assaltantes de anteontem teriam recebido informações privilegiadas sobre a movimentação dos alunos. Segundo as vítimas que conversaram com o JORNAL DO DIA, o trio de ladrões foi direto à sala onde se concentram os alunos com maior poder aquisitivo. "Só entraram numa sala e foi justamente no pessoal que tem mais condições de ter as coisas. Isso só pode ser ‘fita dada’, alguém pode ter dado informação pra eles", disse uma aluna, usando uma gíria comum no meio policial.
Indignados, os estudantes reclamam de um alto número de assaltos ocorridos na avenida, principalmente contra alunos que saem dos prédios do Senac, onde fazem os cursos da noite. As mulheres, principalmente, são abordadas por usuários de drogas que circulam a pé e de bicicleta, ou por alguns travestis que fazem ponto nas esquinas da avenida. "Tem aluna que sai pra comprar um lanche e volta correndo porque tem os malucos de bicicleta que seguem elas. A todo momento, a gente tem que ficar ligado, andar acompanhado… porque a polícia não passa aqui", reclama um funcionário.
Outra reclamação é a de que o anexo do Senac não tem câmeras de vigilância, que os vigilantes não tem armas e que o acesso às salas de aula não tem o mesmo nível de controle da unidade-sede do órgão. "A gente paga por um curso, vem fazer um curso, pra ser depois roubado por um vagabundo que entra e faz o que quer? Isso é um absurdo. Tem gente que diz que nunca mais vai voltar aqui depois dessa", desabafou um aluno, ao confirmar que, se nenhuma solução for dada à falta de segurança, os alunos e funcionários podem paralisar o funcionamento dos cursos no anexo.
Resposta – A direção regional do Senac registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil para comunicar o assalto e prometeu cobrar providências da Secretaria da Segurança Pública (SSP). O diretor regional Paulo do Eirado Filho garantiu que todas as providências serão tomadas para melhorar a segurança do Anexo 5 e ressarcir os prejuízos sofridos pelas vítimas.
Segundo o porta-voz da Federação do Comércio de Sergipe (Fecomércio), Márcio Rocha, a instituição deve pedir uma audiência com o secretário Mendonça Prado e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Maurício Iunes, para reclamar dos constantes assaltos ocorridos contra casas comerciais no centro de Aracaju. "O que aconteceu aquela noite no Senac é um reflexo do que está acontecendo no centro e em toda Aracaju. Nós não temos uma ação efetiva da polícia para combater esses assaltos e arrastões que vêm acontecendo na cidade. São crimes que vem acontecendo todos os dias, principalmente nas lojas", disse Rocha.
O porta-voz esclareceu ainda que os vigilantes de estabelecimentos de ensino, como escolas e cursos profissionalizantes, não podem portar armas de fogo nestes locais, pois a prática é proibida pela legislação atual e considerada de risco. A Polícia Militar, por sua vez, informou que já vem fazendo o policiamento no centro comercial com equipes do 8º BPM e do Batalhão de Radiopatrulha (BPRp), e que a segurança dentro das unidades de ensino é de responsabilidade de seus respectivos proprietários – no caso de ontem, do próprio Senac.


