Funcionários da empresa italiana de telemarketing Almaviva, instalada em Aracaju desde 2013, ainda estão consternados com a morte da operadora de telemarketing Bárbara Monique Soares de Sousa, 26 anos. Ela faleceu por volta das 11h desta quarta-feira, feriado de São João, após sofrer um ataque cardíaco dentro da sede da empresa, no Bairro Industrial (zona norte). Segundo os colegas de trabalho, houve demora na prestação do socorro médico à vítima, pois os ambulatórios da empresa não estavam funcionando quando o incidente aconteceu. A direção da Almaviva nega ter havido a demora.
O corpo de Bárbara foi enterrado ontem à tarde em Salvador (BA), onde reside a família. Também no dia de ontem, mas pela manhã, as atividades voltaram ao normal na empresa, que suspendeu seu expediente logo após a morte da atendente, "em sinal de respeito à dor da família, amigos e colegas que conviveram com ela, ao mesmo tempo em que se solidariza com os familiares, dando a eles todo o suporte que a situação exige", conforme a nota oficial da empresa.
Segundo as primeiras informações, Bárbara havia saído de uma reunião de sua equipe de trabalho e tinha recomeçado os atendimentos por telefone. No meio de uma das chamadas, a funcionária interrompeu a conversa e não conseguiu mais continuar. As pessoas que estavam ao seu lado viram que ela estava totalmente tensa. "Quando perceberam que ela estava passando mal, recolheram ela, colocaram-na no chão e aí ela teve uma convulsão, enrolou a língua e ficou com falta de ar, porque ela já tinha um problema respiratório. Não tinha nenhum enfermeiro. A gente tem ambulatório e tudo [a estrutura], mas enfermeiro no fim de semana não tem, nem no feriado e nem no ponto facultativo. Como não tinha enfermeiro, foi uma estudante de técnica em enfermagem que teve que prestar socorro a ela. Quando ela foi verificar, a menina estava já com o pulso fraco", relatou, em entrevistas às emissoras de TV, a operadora Rosângela dos Anjos, que trabalhava em frente à cabine de Bárbara.
Os outros funcionários pediram socorro aos supervisores e passaram a chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Alguns atendentes relataram que a ambulância do Samu demorou quase 20 minutos para chegar à Almaviva e, quando chegou, estava sem o desfibrilador, aparelho de choque elétrico usado para reanimar pacientes em quadro de parada cardíaca. A segunda ambulância chegou a ser enviada, mas Bárbara acabou morrendo. O corpo só foi retirado do local no meio da tarde e levado para o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) da Secretaria Estadual de Saúde.
Com a constatação do óbito, todos os funcionários da empresa foram dispensados e muitos deles reclamavam, principalmente, da falta de assistência da firma italiana. "Como é que uma empresa tem não sei quantos funcionários, funciona 24 horas por dia, tem um ambulatório e não tem um enfermeiro para socorrer uma pessoa que está passando mal?", questionou Rosângela, ao considerar que houve "incompetência" da empresa para lidar com o incidente.
Resposta – O diretor de Relações Institucionais da Almaviva, Douglas Fernandes, disse aos jornalistas que a morte de Bárbara foi "uma fatalidade imprevisível". Ele assegurou que a firma prestou toda a assistência à família da funcionária, sobretudo no traslado do corpo para Salvador e em seu respectivo sepultamento. Disse também que as escalas de atendimento no ambulatório da empresa estavam funcionando normalmente, de acordo com a legislação.
"Nossas estruturas foram acionadas imediatamente e prestamos todas as assistências necessárias. Nosso corpo de segurança é completo, trabalha dentro das características legais. Mas o que aconteceu era algo absolutamente imprevisível e desvinculado. Fosse qual fosse a situação, a morte [da funcionária] veio de uma maneira muito rápida e em decorrência de um fato imprevisível. Nada e nenhum outro fator teve influência e nem poderia ter", afirmou Douglas, ao confirmar que o falecimento de Bárbara foi causado por um mal súbito.


