Gabriel Damásio
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Os casos de vandalismo e agressões contra veículos e funcionários do sistema de transporte coletivo de Aracaju podem provocar uma paralisação de protesto dos motoristas e cobradores, durante as festas de São Pedro. A ação foi cogitada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra), que reclama dos constantes casos de depredação ocorridos principalmente no final dos shows do Forró Caju 2015, no centro da capital e do Forró Siri 2015, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Segundo a entidade, os ônibus podem parar de circular entre 0h e 6h até o fim do evento, na madrugada desta terça-feira, comprometendo o reforço disponibilizado pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) para o transporte dos forrozeiros.
O Sinttra estima que 30 ocorrências do tipo já foram registradas na última semana e, em boa parte dos casos, ocorridos em ruas e avenidas e corredores de ônibus que ficam no entorno da Praça de Eventos Hilton Lopes, nos Mercados Centrais, as janelas dos ônibus são apedrejadas e os marginais promovem os chamados ‘arrastões’, nos quais assaltam vários passageiros em sequência. Dois destes casos aconteceram na manhã deste sábado. Às 5h, um ônibus da empresa Modelo, cuja linha não foi revelada, sofreu o ‘arrastão’ no Centro, após ser invadido por um grupo de bandidos. Segundo o relato, um deles estava armado com um tijolo e tentou quebrar as câmeras de segurança do coletivo. O outro caso foi às 7h, dentro de um coletivo da linha Aquários/DIA, onde o motorista foi agredido pelos vândalos, sofrendo apenas escoriações leves.
As ocorrências foram confirmadas pelo presidente do Sinttra, Miguel Belarmino, que classifica a manhã de sexta-feira como o dia mais grave da onda de ataques: 10 ônibus tiveram as janelas quebradas por volta das 5h e três funcionários das empresas foram agredidos fisicamente. Um deles sofreu cortes na cabeça e chegou a ser internado no Hospital Gabriel Soares, no Centro, onde foi medicado e liberado horas depois. "A situação está muito séria. Vamos acompanhar todos esses casos e decidimos esperar mais um pouco, pra ver como a coisa vai evoluir nestes próximos dias. Se piorar, a gente para", avisa Belarmino, visivelmente indignado.
O sindicalista também fez críticas à atuação dos órgãos de segurança que atuam no evento, principalmente a Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento externo dos eventos, e a Guarda Municipal de Aracaju, incumbida da segurança interna do Forró Caju e dos terminais de integração da região (Fernando Sávio, no Centro, e Manoel Aguiar Menezes, no Mercado). "A polícia não tem nenhum planejamento para a segurança destas festas, principalmente quando se trata dos ônibus. Não estão acontecendo as abordagens aos grupos e o mínimo que se faz neste sentido não dá conta. Tem companheiro nosso apanhando às sete da manhã e ninguém faz nada. Nós até participamos de reuniões com o secretário Mendonça Prado [da Segurança Pública] e o comando da PM, mas o trabalho deste ano está deixando muito a desejar", aponta Miguel.
As ocorrências também são registradas pelas empresas de transporte, que ainda contabilizam os prejuízos. O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Aracaju (Setransp)
Informa que precisa retirar os carros de circulação para repor as peças danificadas e admite que a população sai prejudicada dos casos de vandalismo. Segundo a entidade, apenas a Viação Atalaia deve gastar R$ 5 mil apenas com a recolocação de vidros, janelas e câmeras de segurança – o valor equivale ao total que deixou de arrecadar enquanto os veículos ficaram retidos. "As empresas tentam cumprir seu papel, têm câmeras internas, fazem o acolhimento aos funcionários, [colocam] os cofres também, para não ficar expondo o dinheiro, mas há uma necessidade de alertar a população para o zelo ao patrimônio e à segurança em geral", disse a porta-voz do Setransp, Raíssa Cruz.
A PM, por sua vez, garante que fez o reforço do policiamento no Centro de Aracaju durante o Forró Caju, mobilizando equipes do Esquadrão de Polícia Montada (EPMon) e dos batalhões de Choque (BPChq) e Radiopatrulha (BPRp), as quais têm atuado em todas as ocorrências em que a corporação é acionada.


