Casas em área ambiental serão derrubadas

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Casas irregulares cons-truídas na invasão co-nhecida como Beira Rio, no bairro Bugio, em Aracaju, começaram a ser demolidas logo nas primeiras horas de ontem. Atendendo uma determinação judicial, agentes da Polícia Militar e Polícia Federal estiveram no local para comunicar o fato aos moradores e proceder com o processo de reintegração de posse. Como já era de se esperar, os moradores se mobilizaram e deram início a um motim que resultou em dificuldades para os operários convocados para demolir os imóveis. Segundo relatório jurídico apresentado no inquérito, desde setembro de 2010 ficou oficialmente proibido de se erguer pavimentos, casas ou qualquer tipo de muro no local, porém, 21 empreendimentos descumpriram a determinação e foram notificados.

Na tentativa de inviabilizar as máquinas utilizadas para destruir as casas, os moradores insatisfeitos criaram uma barreira de fogo com a utilização de pneus, restos de móveis e galhos de árvores. Entre os manifestantes estava a desempregada Maria Luzinete dos Santos que disse residir na localidade desde janeiro de 2011. Casada, mãe de três filhos e residindo em uma antiga casa de apenas dois compartimentos, a ex-moradora disse não ter para onde ir com a família e criticou a operação. "Não temos nenhum lugar seguro e aconchegante para a gente ir com nossos filhos. Estamos no inverno e a justiça nem pensou no nosso bem estar. Sem a nossa casa vamos passar frio e fome. Sabemos que tinha esse erro, mas a gente não achava que seria expulso logo agora", lamentou.

Para dar reforço a reintegração de posse, técnicos da Defensoria Pública também compareceram ao local. De acordo com o agente Edgar Nunes, a presença dos militares e policiais federais foi fundamental para garantir sucesso na execução da ordem de desapropriação. Apesar da postura revolucionária apresentada por cerca de 60 pessoas, a Polícia Militar do Estado de Sergipe garantiu que, por volta das 9h30, a situação já estava controlada e com os moradores retirando os respectivos pertences. "Houve sim uma certa dificuldade, mas as famílias aos poucos começaram a entender que elas estavam erradas e que estávamos ali apenas trabalhando e fazendo valer a determinação da justiça. Demos todo o apoio possível e a ordem foi cumprida", disse o agente.

Dentre a comissão de operários que auxiliaram o trabalho de desocupação, estavam incluídos funcionários da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emurb). Estes foram encaminhados para o espaço que ficava nas margens do riacho Cabral, na travessa Ana Célia, onde colaboraram com a retirada de patrimônios que estavam dentro dos barracos, alguns deles, inclusive, sem nenhum representante no momento da operação. Segundo o tenente coronel Vivaldi, que comandou a ação, a preocupação maior era com as pessoas. "Criamos um grande aparato para dar assistência para aquelas pessoas que aqui estiveram presente. Contamos ainda com o apoio do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da cavalaria e de cães da PM. Felizmente a determinação foi procedida com sucesso", garantiu.

Cadastro – Por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, a Prefeitura de Aracaju esteve presente a fim de cadastrar as famílias retiradas do loteamento. A meta é beneficiá-las futuramente com casas populares a serem erguidas por meio de incentivo público. Enquanto os imóveis populares não são entregues, auxílios moradias serão destinados aos moradores. O serviço de demolição deve ser realizada até a próxima terça-feira, 07.

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