Detran suspende atendimento e causa revolta entre clientes

Milton Alves Junior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A manhã de ontem foi marcada por amplo- conflito verbal entre servidores do Departamento de Trânsito de Sergipe (Detran), clientes do sistema e agentes da Companhia de Policiamento de Trânsito (CPTran). Toda a desordem que gerou em interrupção parcial da avenida Rio de Janeiro teve início por volta das 7h quando os funcionários em greve desde junho disseram que no dia de ontem nenhum atendimento de vistoria seria realizado pela categoria. A medida adotada por 30% do efetivo que permanecia em atuação se tornou possível após o Tribunal de Justiça ter avaliado e decretado o movimento grevista como ilegal. Na avaliação do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran), essa postura dos trabalhadores mostra a insatisfação junto ao TJ.

Com o anúncio de suspensão total dos atendimentos, dezenas de clientes que enfrentaram filas desde a madrugada decidiram protestar contra tudo e todos. O alvo principal era o Governo do Estado que, na opinião dos mais bravos cidadãos, deveria buscar soluções para atender o pleito da categoria e acabar com a paralisação. Em segundo plano apareceram os funcionários que estavam escalados para trabalhar no grupo dos 30%, mas preferiram, por bem, não cumprir a Constituição Federal. Na opinião do contador Elison Batista Reis, a falta de respeito junto aos sergipanos contribuiu para a fúria popular. Na fila desde as 2h, e visivelmente irritado com a situação, ele lamentou a ocorrência e disse, agora, reprovar a mobilização dos servidores do Detran.

"Eu era pra ser o décimo terceiro para ser atendido e cheguei aqui duas da manhã. Tem gente, lá entre os três primeiros, que chegou aqui bem antes de mim justamente por não querer perder o prazo para regularização e agora, na hora de finalmente ser atendido, me vem um funcionário e diz que não vai ter vistoria hoje. Isso é um absurdo. Esse Detran virou um mangue e os funcionários, ao menos esses 30% que ainda tinham credibilidade agora são irresponsáveis também", disse. Conforme estatísticas do próprio departamento estadual de trânsito, durante o movimento grevista cerca de 35 automóveis estavam sendo vistoriados. Diante da revolta generalizada, agentes da CPTran, incluindo o capitão Fabio Machado, comandante do batalhão, precisaram agir.

A direção do Detran voltou a garantir que encontra-se disposta a dialogar de forma progressiva junto aos sindicalistas, porém, necessita da compreensão de todos. Entre os atos compreensivos a serem adotados pelo Sindetran estaria a decisão em retornar aos trabalhos. A expectativa é que um encontro possa ocorrer assim que os servidores retornarem aos postos de atendimentos e tem como princípio básico cessar o impasse e melhor atender o cidadão.

Até a tarde de ontem ainda de braços cruzados, os grevistas lutavam para conquistar melhores condições de trabalho e reajuste salarial digno para a categoria. "A gente vem batalhando por melhorias já há vários meses, e desde maio tentamos negociar com a direção do Detran, mas lá ninguém ouve a gente. Essa paralisação geral hoje foi para mostrar o quanto estamos insatisfeitos com o poder judiciário que mais uma vez aprovou um pedido de ilegalidade. No mês passado foram os professores e agora fomos nós", afirmou o presidente do Sindetran, Thiago Bonfim.

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