Assassinatos de moradores de rua intrigam a polícia

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um segundo crime ocorrido contra moradores de rua em Aracaju despertou a atenção da polícia: na manhã desta quarta-feira, um homem não identificado com idade presumida de 25 anos foi encontrado morto embaixo da marquise de uma loja entre as ruas Geru e Santo Amaro, centro da capital. Segundo a Polícia Militar, ele foi assassinado com tiros na cabeça enquanto dormia. O crime teria acontecido no final da madrugada e o crime foi descoberto por volta das 7h30, quando os policiais foram chamados ao local. Alguns materiais usados para o consumo de crack, como cachimbos improvisados com canos de torneira, foram encontrados junto ao cadáver.

O crime possui as mesmas características da chacina que aconteceu na última segunda-feira em um mangue às margens do Rio Poxim, junto à Avenida Jornalista João Batista Santana, na Coroa do Meio (zona sul). No local, um homem e duas mulheres – uma delas grávida – que também moravam na rua também foram achados mortos, com marcas de espancamento e de tiros à queima-roupa na cabeça. Testemunhas afirmam que as vítimas viviam em um barracão e costumavam lavar carros, pedir esmolas e recolher material de reciclagem. Dois cachimbos usados para fumar crack também foram achados no local do crime.

Até o fechamento desta edição, os quatro corpos não tinham sido reconhecidos oficialmente no Instituto Médico-Legal (IML), nem tampouco reclamados. As vítimas não portavam documentos ao serem achadas e sabe-se também que os policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) têm encontrado dificuldades para localizar os familiares dos andarilhos mortos. As poucas informações sobre a identidade das vítimas vêm sendo conseguidas com comerciantes e frequentadores das ruas por onde estes moradores costumavam andar, tanto no centro quanto na Coroa do Meio.

Os dois crimes são investigados por duas divisões diferentes do DHPP, sendo a chacina pela 3ª Divisão e a morte no Centro pela 2ª. No entanto, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informa que a unidade já está mais atenta quanto à possibilidade de outros crimes contra moradores de rua, tanto os já ocorridos quanto os que porventura venham a acontecer. Foi determinado, inclusive, um rigor maior na análise dos relatórios das equipes de Local de Crime, responsáveis pelo início das investigações assim que as mortes são descobertas.

De acordo com a SSP, a suspeita de interligação entre as duas mortes não é totalmente descartada, pois as quatro vítimas eram moradores de rua, foram baleadas na cabeça e tinham indícios de que seriam usuários de drogas. A coincidência entre os dois crimes, ocorridos em um espaço menor que 48 horas, também aguçou o estranhamento nas autoridades. A polícia ainda não tem nenhuma suspeita concreta, mas uma das hipóteses consideradas é a de que as mortes teriam sido provocadas por possíveis cobranças de vividas contraídas junto a traficantes de drogas, os quais costumam matar os usuários que não pagam pelas drogas consumidas.

A Polícia Militar deve intensificar as operações de patrulha e de levantamento de informações nas áreas dos crimes, enquanto o DHPP busca por imagens gravadas pelas câmeras de lojas, repartições e casas vizinhas aos locais onde os corpos foram achados. A população pode colaborar com informações sobre estes dois casos, repassando-as através do Disque-Denúncia (181). A ligação é gratuita e o denunciante não precisa se identificar.

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