Exigência de farda provoca nova agressão à diretora de escola; agora foi uma mãe

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um novo caso de agres-são contra diretores volta acontecer em uma escola da rede estadual de ensino. Desta vez, aconteceu no Colégio Estadual Senador José Alves do Nascimento, no bairro Coqueiral (zona norte de Aracaju), ao final da tarde desta segunda-feira. A professora Nádia Adriane da Costa Fonseca, 36 anos, que dirige a unidade de ensino, levou tapas e puxões de cabelo da mãe de uma estudante do 6º ano do Ensino Fundamental, depois de uma discussão ocorrida na porta da escola. A servidora denuncia ainda que foi xingada e ameaçada pela agressora. Um boletim de ocorrência foi registrado na 3ª Delegacia Metropolitana (3ª DM) e o caso é acompanhado pela Secretaria Estadual de Educação (Seed).

Segundo informações, esta discussão aconteceu depois que a aluna foi impedida de entrar no José Alves, pois ela não usava o uniforme do colégio de acordo com o que está previsto no regimento interno. A menina estava vestida com uma calça rosa, ao contrário da calça azul-marinho combinada com a camiseta branca contendo o escudo do colégio. De acordo com Nádia, esta regra começou a valer anteontem, mas já tinha sido avisada a todos os alunos uma semana antes, inclusive com comunicados por escrito que foram inclusive assinados. "Nós fizemos reunião com os pais [para explicar o regimento], mas poucos compareceram, e tenho aqui o regimento assinado pela própria aluna, confirmando que ela recebeu o documento e ficou ciente de que ela só poderia entra com o uniforme", disse a vítima, em entrevista à TV Atalaia, ontem à noite.

Na tarde de segunda, a menina compareceu à escola com a calça rosa. Depois de ser barrada por um funcionário e pela diretora, ela foi para casa, mas voltou acompanhada da mãe, que estava furiosa e exigiu satisfações da diretora. Nádia relata que, assim que foi ao portão, foi logo ofendida pela mulher, mas tentou ainda um diálogo e apressou a entrada dos alunos na escola. Em seguida, o portão foi fechado com um cadeado. "A mãe começou a me agredir verbalmente e gritar em cima do meu rosto. Achei por melhor mandar todos os alunos entrar na escola para evitar uma confusão maior", disse ela.

Neste momento, a agressão aconteceu: enquanto a professora estava de costas para o portão, orientando os alunos, a mãe da aluna se apoiou entre as grades, agarrou a diretora pelos cabelos e tentou acertar o rosto dela com vários tapas. Rapidamente, os alunos do Grêmio Estudantil que estavam perto do portão interviram e conseguiram soltar Nádia, que ficou surpresa com a atitude da mulher. Ela continuou gritando ofensas e palavrões à vítima, chegando a chama-la para brigar fora do colégio. A servidora, no entanto, não reagiu e avisou que iria procurar seus direitos, antes de entrar na secretaria do colégio. "em nenhum momento usei xingamentos, nem a chamei de favelada e nem agredi, porque este não é o meu comportamento. Eu só chamo os alunos de ‘meus amores’ e converso educadamente", esclarece Nádia.

A Polícia Militar chegou a ser chamada, mas a agressora foi embora antes da chegada dos soldados à escola. A diretora decidiu suspender as aulas e comunicar o caso à Seed, que enviou uma equipe para prestar-lhe apoio. Ontem, houve uma reunião da equipe de direção do José Alves com a diretora regional de Educação de Aracaju, Maria Lúcia de Góes. Nádia disse que só vai retomar as aulas depois que a Seed providenciar a colocação de vigilantes terceirizados no colégio, pois outras ameaças já aconteceram contra professores e a própria direção. Por sua parte, a Seed disse que a vigilância será providenciada até a semana que vem. O Colégio José Alves atende hoje a 910 alunos dos ensinos Médio, Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Com a caneta – O primeiro caso de violência contra diretores aconteceu em 2 de julho, quando um rapaz de 16 anos espancou e feriu a professora Carla Valéria de Oliveira, que dirigia a Escola Estadual Senador Lourival Fontes, no Santo Antônio (zona norte). O ataque aconteceu dentro do colégio, depois que o aluno foi chamado para a sala da diretoria e ser informado que seria expulso do colégio. Carla foi agredida com socos e teve a testa cortada com uma caneta que foi quebrada na cabeça.

O autor da agressão está apreendido na Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip) e está sendo processado por tentativa de homicídio, pois, segundo testemunhas, ele chegou a dizer que só sairia da escola quando matasse a diretora. Carla, por sua vez, entregou o cargo e está afastada para tratamento médico e psicológico. Uma nova diretoria assumiu o Lourival Fontes na semana passada e as aulas já foram retomadas.

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