Diversas categorias do Estado vão parar hoje

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Segue nesta quarta-feira o segundo dia de ato público e unificado realizado por dez categorias compostas por servidores estaduais. Coordenado pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/SE), e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o grupo exige do Governo do Estado uma ampliação no diálogo sobre as campanhas salariais e implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), além de tentar entender os critérios e as sistemáticas da Receita Corrente Líquida e a Despesa Líquida com Pessoal apresentada pelo governo. Desde as primeiras horas de ontem cerca de 80 trabalhadores estão acampados nas intermediações do Palácio Governador Augusto Franco, em Aracaju.

Entre as categorias que aderiram à mobilização e estão em greve por 48 horas, está o Sindicato dos Auditores Fiscais (Sindifisco), Sindicato dos Servidores do Tribunal de Justiça (Sindijus), e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Sergipe (Sintese), que, menos de 15 dias após decretar o fim de uma paralisação por tempo indeterminado, voltam a parar as atividades e afastar mais de 180 mil alunos de dentro das salas de aula. Na avaliação apresentada pela professora Angela Melo, presidente sindical e representante dos professores, assim que o fim da greve foi oficializado junto ao Estado, ao TJ e à sociedade sergipana, a categoria havia informado também que a luta pelo piso salarial igualitário para todos os níveis de carreira e por melhores condições de trabalho iria continuar.

Melo destacou ainda a necessidade de a Secretaria de Estado da Educação (Seed) realizar de forma emergencial a ampliação na segurança interna e externa das unidades educacionais. "Na realidade precisamos sentar e conversar com o governador. Estamos esperando uma audiência para que possamos mostrar todas as nossas principais reivindicações que irão contribuir por uma educação pública de melhor qualidade, mas infelizmente a promessa de debater esses assuntos ficou apenas da boca pra fora. O professor aderiu a esse ato unificado por entender que juntos somos mais fortes", afirmou. Com a suspensão das aulas, aproximadamente 12 mil professores não ministraram conteúdos metodológicos desde as 22h da última segunda-feira, 13.

A previsão, segundo a direção do Sintese, é que na manhã desta quinta-feira, 16, as atividades educacionais sejam reiniciadas, mas ninguém se mostrou interessado em informar quando estas aulas perdidas devem ser repostas. Na opinião do professor de matemática, Heraldo Mota, o trabalhador tem consciência dos seus direitos e deveres, mas é preciso que o secretário Jorge Carvalho do Nascimento amplie as reuniões com representantes dos professores. "Por nosso lado posso garantir que nenhum aluno sairá perdendo por causa dessa paralisação de ontem e hoje, o conteúdo será passado. Dúvida mesmo é se a Seed e o secretário vão querer resolver nossos problemas. Problemas estes que todos têm conhecimento muito bem", destacou.

Impasses – O presidente da CUT, em Sergipe, Rubens Marques, reforçou as declarações apresentadas pelo Sintese e acusou o Governo do Estado de não receber nenhuma categoria para ampliar os diálogos. Mesmo diante dos gestores públicos mostrarem interesse em criar ciclos contínuos de debate, Marques exige que ações práticas sejam realizadas. "Se estamos aqui reunidos é porque a nossa situação não anda nada boa.

Entendemos que muitos diretores e secretários até se mostram dispostos a dialogar com comissões de servidores, mas infelizmente essa conversa nunca sai. A ideia desse ato unificado é justamente pressionar o governante, seus secretários e presidentes de órgãos para atender nossa pauta de reivindicações", disse.
Os funcionários do Departamento de Trânsito de Sergipe (Detran), que encerraram uma greve recentemente, não se integraram ao movimento. Amanhã os grevistas reiniciam os serviços públicos, mas a CUT não descarta a possibilidade de novas paralisações coletivas. "Nossa luta é permanente e não devemos parar até que as reivindicações sejam atendidas. Caso permaneça esse impasse, não vemos outra situação a não ser parar novamente", pontuou Rubens Marques.

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