A Polícia Militar conseguiu recapturar, por volta das 18h30 de ontem, o terceiro foragido do Presídio Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora da Glória (Sertão). Ariel Moreira Bezerra, 20 anos, foi preso na rua Serafim Bomfim, bairro Santos Dumont (zona norte de Aracaju), por soldados do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp). Segundo informações confirmadas pela PM, Ariel estava na garupa de uma moto com outro rapaz e ambos passaram direto pela equipe Leão 81, cujos policiais desconfiaram da atitude da dupla.
Após darem uma ordem de parada e serem desobedecidos, os policiais passaram a seguir a dupla, que depois de alguns metros, esbarrou em um carro e caiu na pista. O foragido que estava na garupa e não tinha armas tentou correr, mas foi logo agarrado e preso, enquanto o comparsa conseguiu escapar. Os policiais identificaram Ariel e levaram-no para a Delegacia Plantonista, onde prestou depoimento e ficou detido, aguardando remoção para outro presídio.
Ao fugir do Preslen, Ariel cumpria pena de 17 anos e três meses de prisão, após ser condenado por um assalto à mão armada cometido contra três mulheres em junho de 2013, no centro da capital. Agora, já são três os presos recapturados desde a noite de sexta-feira, quando 20 detentos escaparam do presídio e dispararam tiros de pistola e escopeta contra os agentes penitenciários. Um deles, Antônio Nascimento Nogueira, 49 anos, morreu, e outros dois ficaram feridos, sendo um que ainda está internado. Os outros recapturados são Everton Justino Silva Junior e Jorge Valber Martiliano dos Santos, ambos de 27 anos e condenados por crimes de assalto e homicídio.
Investigação – Enquanto isso, a Polícia Civil continua investigando as circunstâncias que ocasionaram a fuga em massa. Ontem, o governo confirmou que uma das suspeitas investigadas é a de que algum agente do presídio teria sido subornado para facilitar a entrada de duas pistolas calibre 380 e um revólver calibre 38, armas que a PM apreendeu horas depois da fuga, em áreas próximas ao presídio.
Segundo reportagem divulgada pela TV Sergipe, um dos presos recapturados admitiu à polícia que as armas teriam sido compradas ao preço de R$ 25 mil e que parte do valor teria sido pago a um agente para que a entrada das armas no presídio fosse facilitada. Disse também que o plano da fuga teria sido posto em prática pelos pistoleiros Alessandro de Souza Cavalcante, o "Billy", e Clodoaldo Rodrigues Bezerra, condenados a 45 anos de prisão pelo atentado contra o desembargador Luiz Mendonça, do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), em 18 de agosto de 2010. A polícia e o governo já admitem que os dois, junto com um terceiro líder da fuga, teriam sido levados para fora de Sergipe por comparsas que os aguardavam de carro em algum local fora da penitenciária.
O delegado-geral da Polícia Civil, Everton Santos, disse à rádio 103 FM que alguns agentes do presídio já prestaram depoimento aos delegados do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e outros serão ouvidos ao longo da semana, bem como todos os presos que forem sendo recapturados. Ele confirmou que, conforme análise do Instituto Médico-Legal (IML), o tiro causador da morte do agente Antônio Nogueira partiu de uma das pistolas 380, cujo calibre não é utilizado no sistema prisional.
O secretário estadual de Justiça, Antônio Hora Filho, declarou que o depoimento do preso ainda precisa ser investigado mais a fundo, pois, segundo ele, "os presos são acostumados a mentir e enganar para se livrar de situações". No entanto, ele prometeu punições rigorosas em caso de confirmação da suspeita investigada pela polícia. O mesmo foi dito pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários, cujo advogado André Kasukas declarou que a categoria "repudia toda e qualquer forma de corrupção dentro do sistema" e, em caso de comprovação da denúncia, "será a primeira a exigir punição para os envolvidos". (Gabriel Damásio)


