Suspeito de matar agente é recapturado

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Está preso um dos prin-cipais personagens da fuga de 20 detentos do Presídio Regional Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora de Glória (Sertão), no dia 21 de agosto. Josinaldo da Purificação Santos, o ‘Naldo’, 39 anos, foi recapturado às 4h30 de ontem na BR-101, próximo ao acesso à cidade de São Cristóvão (Grande Aracaju). Segundo a Polícia Civil, ele estava em uma Toyota Hilux que estava no sentido Aracaju/Salvador, por onde tentaria sair do Estado. Condenado a 68 anos de prisão por homicídio e assaltos a bancos, Josinaldo é apontado como um dos principais mentores da fuga do presídio e também suspeito de ser o autor do tiro que matou o agente penitenciário Antônio Nascimento Nogueira, 49, baleado no momento em que os presos saíram da área conhecida como ‘Horta’.

O paradeiro de Josinaldo foi descoberto após a investigação de uma denúncia anônima por agentes da Coordenadoria da Polícia Civil do Interior (Copci), que montaram uma barreira na rodovia com equipes do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb) e do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope). "A denúncia narrava que eles trafegariam pela BR naquele horário. Com base nisso, montamos a barreira e logramos êxito em localizar o carro. Não houve reação, mas na hora da abordagem, foi necessário efetuar alguns disparos, porque eles iriam entrar no matagal e fugir, mas os disparos foram de advertência e não tiveram a intenção de atingir o veículo", disse o delegado Dernival Eloi Tenório, chefe operacional da Copci, ao confirmar que, ao ser cercado, ‘Naldo’ teria gritado aos policiais que havia mulheres e crianças no carro.

De fato, não havia crianças dentro da caminhonete, mas quatro adultos viajavam com o fugitivo: Andréia Silva de Jesus, 32, apontada como namorada dele, e os ex-presidiários Marcelo da Cruz, 33, José Carlos dos Santos, o ‘Carlinhos da Caçamba’, 45, e Carlos Roberto Cardoso Menezes, o ‘Nem’, 39. Todos foram autuados pelo crime de favorecimento pessoal e acusados de colaborar com a fuga de ‘Naldo’. "Sobretudo, eles dariam apoio com o carro. A Hilux é pertencente ao ‘Carlinhos da Caçamba’. Chamou a atenção também a vultosa quantia em dinheiro que estava no carro, muito para um cidadão que estava preso e nem tinha bens à venda", explicou o delegado. Ao todo, foram encontrados R$ 6 mil em dinheiro, cuja origem ainda é investigada.

Além da quantia, a polícia apreendeu uma carteira de identidade falsa, uma porção de maconha, um relógio, três celulares, 30 munições e uma pistola calibre 40 que foi roubada de um soldado da Polícia Militar, em 9 de novembro de 2014, dentro de um micro-ônibus da Coopertalse em Rosário do Catete (Vale do Cotinguiba). Na ocasião, uma passageira idosa morreu baleada pelas costas. A polícia acredita que a arma foi repassada a Josinaldo por um dos assaltantes, mas ainda quer saber se ela foi usada dentro do presídio de Glória – e se sim, como ela foi introduzida. A pistola foi apreendida e passará por perícia no Instituto de Criminalística.

Como fugiu – Josinaldo foi interrogado durante todo o dia pelos policiais do Cope e da Copci. De acordo com a polícia, ele é considerado uma liderança dentro do presídio foi apontado pelos outros e pode ter planejado toda a fuga, ao lado do foragido Rosival dos Santos Oliveira, o "Val Cachorrão", condenado a 23 anos de prisão pelo atentado a tiros ocorrido em maio de 2009 contra o comerciante Eliaquias Acioli, o Acioli da Farmácia", no bairro Santo Antônio (zona norte). Além de deixá-lo ferido, o crime causou a morte da professora Ana Alba Feitosa. ‘Val’ ainda não foi recapturado.

De acordo com as primeiras apurações, Josinaldo era um dos principais líderes entre os detentos do Preslen e era muito respeitado pelos colegas. E que este prestígio teria sido usado para liderar a fuga dos presos da chamada ‘Horta’, ala do presídio onde viviam os 20 presos que escaparam. Dernival procurou não dar muitos detalhes sobre as investigações, mas confirmou que os depoimentos dados pelos outros detentos do presídio e por várias testemunhas indicam que Josinaldo estava armado na hora da fuga e foi um dos que atiraram na direção dos agentes penitenciários. Outro suspeito é o ex-policial Clodoaldo Bezerra, um dos autores do atentado contra o desembargador Luiz Mendonça, em agosto de 2010, e que estava igualmente armado com uma pistola.
Além de Josinaldo, outros cinco detentos já foram recapturados desde o dia da fuga do Preslen. O mais recente deles foi Marcelo dos Santos, encontrado anteontem no bairro Queimadas, periferia de Itabaiana (Agreste). Até o fechamento desta edição, outros 14 presos permaneciam foragidos.

"Eu ia pro Paraguai", diz detento

Horas depois de ser preso, ao ser apresentado na manhã de ontem pela Delegacia-Geral da Polícia Civil, Josinaldo da Purificação Santos falou aos jornalistas e negou todas as acusações relativas à fuga em massa ocorrida há duas semanas no Presídio Regional de Glória. Ao contrário do que diz a polícia, ele afirma que não planejou o esquema da fuga e não sabe quem teve a ideia da fuga, nem mesmo se houve algum tipo de facilitação para a entrada de armas dentro do presídio.

"Não vi nada, desconheço. Eu estava descansando [na cela], quando eu ouvi os disparos e me acordei assustado. Depois eu vi o portão [do presidio] estava aberto e saí correndo também. Eu, condenado a 68 anos, não ia ver o portão aberto sem sair", disse ‘Naldo’. Sobre o destino de sua fuga, o preso admitiu que estava a caminho do Paraguai, onde pretendia se estabelecer. "O mundão aí é grande, né, pai? Quem tem boca vai a Roma. Não ia nunca mais pisar aqui em Sergipe, porque eu não gosto", disparou.

Josinaldo alegou desconhecer quem atirou contra o agente Antônio Nogueira e negou que estivesse armado naquela noite. "Eu não tinha arma nenhuma e nem sei quem atirou, era muita gente, estava escuro, enxame demais (sic) e não deu pra ver nada", justifica, confirmando apenas que era "respeitado" entre os colegas de cela. "Eu tenho um bom convívio com todos dentro do sistema. Cometi meus delitos, mas tenho o meu lado bom também. Se eu respeito todo mundo, eu tenho que ser respeitado", afirmou o preso, ao negar ser uma pessoa perigosa.

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