Taxista é executado a caminho do trabalho na zona norte de Aracaju

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O taxista Sidnei de Sou-za, 37 anos, conheci-do como ‘Boca de Piranha’, foi assassinado a tiros por volta das 5h30 de ontem no loteamento Pau Ferro, bairro Cidade Nova (zona norte da capital). Ele morreu atingido na cabeça por dois tiros de pistola, enquanto caminhava de sua casa, na Rua A, até o condomínio Alto da Bela Vista, onde o táxi com o qual trabalhava estava estacionado. Segundo informações da polícia, os disparos teriam sido dados por dois homens que passaram pelo local em um VW Gol de cor branca. A principal suspeita investigada é a de que houve uma execução planejada, pois nenhum objeto foi roubado da vítima.

O crime chocou a comunidade local e revoltou os taxistas, que agora contabilizam sete profissionais assassinados neste ano em Aracaju. Antes da retirada do corpo pelo Instituto Médico Legal (IML), colegas de profissão estiveram no local para dar apoio aos familiares que, incrédulos, acompanhavam os trabalhos da Polícia Civil e dos peritos criminais que analisavam o corpo. O relato dos parentes é de que Sidney usava o mesmo caminho todos os dias e sempre ao amanhecer, quando ia buscar o táxi no condomínio e saía para fazer o serviço de lotação na linha Sanatório/Centro. Eles suspeitam que os matadores provavelmente observaram a rotina do taxista para planejar e executar o crime.

O também taxista Edson Santos, para quem a vítima trabalhava há quase 10 anos como defensor, disse que perdeu um grande amigo e um dos profissionais em quem mais confiava. "Eu estava em casa ainda e meu genro me ligou dizendo que tinham ceifado a vida dele. Ele nasceu e foi criado aqui no bairro, conhecia todo mundo, era muito ‘amigueiro’ (sic). A gente não sabe o que se passa no coração das pessoas, mas ele era uma pessoa com boa índole. Se eu cheguei até onde cheguei, foi com a ajuda dele. Foi uma perda muito grande", disse Edson, relatando que Sidney não tinha inimigos e nunca tinha sido vítima de violência, "Mas hoje é assim: pai de família tem que ter medo e ficar preso em casa, enquanto os vagabundos têm direito de andar armado na rua. Não é assim que as autoridades querem? E está aí, mais uma vítima", desabafa o amigo.

Duas cápsulas de pistola foram encontradas no local do crime, enquanto policiais buscavam informações sobre as características do carro e dos atiradores. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios (DHPP). A apuração é feita em sigilo, mas, segundo o delegado André Gouveia, um suspeito de atirar contra o taxista já foi identificado e a participação de outras pessoas no crime é fortemente considerada. O motivo, no entanto, ainda é um grande mistério para a família e para a polícia. O corpo de Sidney foi velado na casa de parentes durante o resto do dia de ontem e deve ser sepultado hoje de manhã. Ele era casado, pai de dois filhos e tinha acabado de perder a mãe, que morreu de câncer há exatos nove dias.

Outros crimes – Presente no local do crime, o vice-presidente do Sindicato dos Taxistas de Sergipe (Sintaxi), Gerson Ferreira, apela para que as possíveis testemunhas do crime procurem a polícia e colaborem com a identificação e localização dos matadores. "A gente reconhece o trabalho da polícia, mas nós pedimos que ela possa, em tempo real, dar uma resposta à sociedade, colocando esse assassino na cadeia. Eu peço que se alguém viu alguma coisa, a placa do carro, o rosto de alguém, que denuncie, ligue por 181, pro 190. Eu quero dizer que hoje foi Sidney. E amanhã? Quem será a vítima desse assassino?", apelou Gerson.  
A entidade confirmou ainda que ‘Boca’ foi o sétimo taxista assassinado apenas este ano. Um dos crimes teve características semelhantes ao de ontem: em 10 de abril, o taxista Washington de Mendonça Lima, 31, levou um tiro na nuca após parar o seu táxi-lotação em frente ao Centro Social Urbano (CSU), na Rua Alagoas, bairro José Conrado de Araújo (zona oeste). O assassino estava sentado no banco de trás e fugiu sem levar nada. Até agora, nenhum suspeito foi preso.

Outro caso de maior destaque foi em 24 de fevereiro, quando o taxista Carlos Augusto de Almeida Menezes, 51, morreu baleado na região do "Banho Doce", na Praia da Aruana (zona de expansão). O crime foi cometido por dois adolescentes de classe média alta que foram apreendidos duas semanas depois pelo DHPP e condenados a cumprir medidas socioeducativas. Segundo a polícia, os rapazes queriam vender o carro do taxista e o executaram quando ele tentou fugir da dupla, que o mantinha como refém.

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