Mulher é presa em ônibus com 30 quilos de maconha

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Policiais civis do Departamento de Narcóticos (Denarc) apreenderam 30 quilos de maconha prensada em um ônibus da empresa São Geraldo que ia de São Paulo (SP) para Itabaiana (Agreste). A abordagem aconteceu na manhã deste domingo, após o veículo passar pelo posto de fiscalização da Secretaria da Fazenda (Sefaz) em Tobias Barreto (Centro-Sul), junto à divisa com a Bahia. A droga, avaliada em cerca de R$ 30 mil, estava em duas malas escondidas em meio à bagagem e pertencentes a Mônica de Oliveira Santos, 31 anos, que foi presa em flagrante.

A carga foi descoberta a partir da apuração de uma denúncia anônima repassada ao Denarc, a qual informava que ela seria trazida por uma sergipana em um ônibus de linha interestadual. O delegado Flávio Albuquerque, diretor do Denarc, informou que os agentes montaram uma operação na região para identificar o ônibus suspeito, o que aconteceu por volta das 10h, no Posto Fiscal de Tobias. Após a identificação, o ônibus foi interceptado algumas ruas adiante e teve a bagagem revistada. "A droga estava acondicionada em duas sacolas de viagem e conseguimos identificar a Mônica como detentora das bagagens. Inclusive, ela estava visivelmente apreensiva no momento da abordagem", relatou.

De acordo com o diretor, a acusada nunca foi presa, mas está cadastrada no sistema de dados do Desipe (Departamento Estadual do Sistema Penitenciário) como companheira e visitante de dois detentos detidos em penitenciárias diferentes. O primeiro, Diego da Cunha Cardoso Silva, está no Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju), onde cumpre pena de nove anos de prisão pelos assaltos cometidos em julho de 2011 contra um motociclista em Itabaiana e uma joalheria em Nossa Senhora das Dores (Sertão). Já o segundo, Anderson dos Santos, é interno do Presídio Regional Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora da Glória (Sertão), e também foi condenado por assalto, ocorrido em 2009 na cidade de São Cristóvão (Grande Aracaju).

Albuquerque afirma que a relação entre a droga apreendida e os dois presos ainda não é confirmada nas investigações, mas o histórico da acusada é um indicativo neste sentido. "As investigações continuam, porque, dada esta convivência dela no mundo do crime, e em que pese ela não ter antecedentes criminais, ela mostra ter expertise para ser muito mais do que uma simples mula, podendo agir associada a outras pessoas. Somente na investigação podemos comprovar e reforçar estas informações. Não descartamos também que outra pessoa, um terceiro que não esteja preso, possa estar envolvido e seja pelo menos um grande financiador parcial ou total da droga apreendida", disse o delegado.

À polícia, Mônica negou que seja dona da droga e não deu detalhes sobre como ocorreu a viagem. A suspeita do Denarc é de que a maconha prensada tenha sido produzida em estados do Sul do país e adquirida em São Paulo para ser revendida em Itabaiana e outras cidades do interior. Outra hipótese é de que um "consórcio de traficantes" teria sido formado para a compra da droga, como acontece em outras apreensões já investigadas pelas polícias Civil e Federal.

Para o delegado, este financiamento passa quase sempre pela prática de outros crimes. "Esta maconha prensada renderia, se toda ela fosse vendida, o dobro do valor empregado. Normalmente, há um consórcio de duas, três ou mais pessoas para financiar um lote como esse. E o tráfico de drogas é comumente associado a outros crimes. Quando estávamos no Cope [Centro de Operações Policiais Especiais], tivemos a oportunidade de prender uma quadrilha de assaltantes de banco que estava diretamente ligada ao tráfico. Ele financia a logística de um assalto, para o dinheiro obtido nele ser empregado no tráfico. É um crime fomentando o outro", explica Flávio.
O inquérito aberto para investigar mais detalhes sobre a procedência e o destino final da droga deve ser concluído em 30 dias. Mônica foi autuada em flagrante por tráfico interestadual de drogas e pode ser condenada a até 25 anos de prisão.

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