Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
Segue por tempo inde-terminado a greve dos professores e técnicos-administrativos da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Paradas há 111 dias, as categorias decidiram na manhã de ontem permanecer de braços cruzados depois que o Governo Federal anunciou o Ajuste Fiscal. Essa medida administrativa, na avaliação deles, tende a prejudicar ainda mais os trabalhadores estatutários federais, como também todo o serviço público. Diante disso, dezenas de profissionais da instituição federal de ensino decidiram ocupar o prédio da reitoria no campus São Cristóvão, e solicitar o apoio dos gestores sergipanos a fim de tentar barrar o Ajuste Fiscal.
Na luta pela reposição das perdas inflacionárias em torno de 27,3%, contratação de novos profissionais através de concurso público, qualificação das condições de trabalho, melhoria emergencial em todos os campi da UFS e por uma data-base em negociação coletiva para saber anualmente quando vai receber o aumento, as categorias, em parte, lamentam a manutenção da greve, mas reafirmam que assim devem permanecer até que o pleito reivindicado seja atendido. Conforme fora destacado pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnicos-Administrativos da UFS (Sintufs), a instituição possui atualmente um déficit superior a 1.010 técnicos administrativos e isso faz com que parte dos postos de trabalho esteja inativa, ou sendo administrada por trabalhadores terceirizados.
Segundo Lucas Gama, presidente do Sintufs, o Ajuste Fiscal contribui prevê o congelamento dos concursos e o adiamento do reajuste salarial, ou seja, o governo segue na contramão do que é desejado e pleiteado pelas categorias em greve desde o dia 28 de maio. "Infelizmente estamos há mais de 100 dias em greve e o governo ao invés de nos convidar para apresentar uma contraproposta que satisfaça à classe trabalhadora, apresenta mais uma medida lamentável e que fere o idealismo defendido por nós. Hoje temos cerca de 1.300 trabalhadores estatutários que permanecem sem comparecer aos postos de trabalho até que o cenário mude. Infelizmente percebemos que se já estava ruim antes, agora o governo conseguiu piorar", disse.
Sem aulas e demais atividades disciplinares sendo realizadas em Sergipe, mais de 30 mil estudantes permanecem fora das salas de aula. Além da Universidade Federal de Sergipe e do Instituto Federal de Sergipe (IFS), que também adere ao movimento grevista, outras instituições federais espalhadas pelo Brasil seguem com as atividades suspensas por tempo indeterminado. A classe trabalhadora informa que as universidades enfrentam um período de ‘apagão’. Sem conseguir promover um diálogo progressista com a UFS, o Sintufs decidiu por unanimidade ampliar os atos públicos em todas as cidades que possuem polo de educação federal. A meta é comover os estudantes para que possam se unir ao movimento dos servidores.
"Precisamos que todos os alunos e demais colegas de trabalho possam entender que estamos batalhando por nossos direitos e principalmente pela melhoria da educação pública federal. Não podemos aceitar calado o fim do Abono de Permanência, por exemplo. A permanência da greve foi aprovada em assembleia realizada ontem mesmo na sede da reitoria, e o Sintufs acatou o desejo dos trabalhadores que sofrem com o desgoverno", destacou Lucas Gama. Mesmo diante das críticas apresentadas pelos grevistas, o Governo Federal até o início da noite de ontem não se manifestou oficialmente. O Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFS enalteceu que permanece disposto a dialogar com os administradores federais, e seguem apenas na espera do convite.


