Greve dos servidores estaduais começa hoje e vai até quinta

Greve da UFS completa 118 dias

Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da Universidade Federal de Sergipe (UFS) permanecem em greve por tempo indeterminado. O ato grevista completa hoje 118 dias e faz parte do movimento nacional que reivindica reposição salarial de 27,3% isonomia de alguns benefícios e gestão democrática da universidade para que servidores da administração, alunos e professores possam contribuir com as decisões da instituição. A paralisação contabiliza conta com o apoio, inclusive, de professores federais que desde o mês de julho também decidiram por aderir ao movimento unificado.
Através de nota encaminhada aos veículos de imprensa o MEC informou que acompanha as negociações junto ao Ministério do Planejamento, responsável pela negociação salarial, e pela criação de um grupo de trabalho para debater questões conceituais da carreira. O MEC destacou que o Ministério da Educação já discutiu com todos os reitores o orçamento 2015, mas a categoria em greve lamentou a falta de avanço nos diálogos. Por fim a direção do MEC informou que gestores da direção geral estão se reunindo com todos os reitores para promover análises especificas da situação de cada instituição.

Greve dos servidores estaduais começa hoje e vai até quinta

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Servidores estaduais darão início nesta manhã à paralisação de 72 horas prevista pelos trabalhadores que participaram de assembleias ao longo dos últimos 45 dias. Conforme destaca a comissão sindical que organiza a greve geral, os servidores têm se queixado da omissão por parte do Estado quanto à implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), melhorias nas condições de trabalho, contratação de novos profissionais por meio de concursos públicos, bem como recomposição salarial para as categorias. Coordenados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), e pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), os grevistas dão início ao movimento logo mais às 7h.

Concentrados nas intermediações da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), os sindicalistas irão promover um ato público, dando início ao movimento, e em seguida, a partir das 8h, seguirão em marcha até o Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), onde irão se encontrar com os profissionais que atuam na unidade. Desde as 6h30 enfermeiros, médicos, técnicos auxiliares, nutricionistas e condutores de ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), já se mobilizam para compor a paralisação unificada e seguir pressionando o Governo do Estado. Até a próxima quinta-feira, 24, todos os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme determina a Constituição Federal seguem atendendo ao público com 30% do efetivo.

De acordo com o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese), durante estes três dias de mobilização coletiva todas as unidades regionais foram aconselhadas a suspender as atividades permitindo apenas o acesso do usuário do SUS a atendimentos de urgência ou emergência. Para Shirley Morales, presidente sindical, os servidores se cansaram de tentar entrar em acordo com os governantes. "Se hoje estamos iniciando essa greve é porque lá atrás nossos pleitos não foram atendidos. Chegamos até a discutir as reivindicações no Palácio dos Despachos junto com o vice-governador, mas nenhuma resposta positiva nos foi apresentada até o último dia 11. Data apontada como limite para resposta governamental", afirmou.

Compondo o Movimento Intersindical dos Trabalhadores do Serviço Público do Estado, a direção do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa) destacou que essa greve serve, mais uma vez, para tentar estreitar o diálogo junto ao Estado. Críticos avaliam a paralisação como uma oportunidade a mais de o governo mostrar interesse real de atender a demanda da classe trabalhadora. "Nós fizemos algumas paralisações e mobilizações pedindo ao Governo do Estado para dialogar com as categorias e isso não foi feito. Demos um prazo até o dia 11 de setembro e chegou a data e não houve nenhuma conversa. Então, tivemos que programar essa greve de três dias para ver se agora sim teremos uma abertura na negociação com o governador do Estado", explicou Augusto Couto, presidente do Sintasa.

Para o dia de amanhã todos os sindicatos irão promover mobilizações em pontos distintos como forma de abranger o movimento grevista e conversar com a população sergipana. Já no último dia de mobilização, haverá uma grande caminhada pelas principais ruas e avenidas da capital sergipana. A concentração ocorrerá a partir das 14h no Parque da Sementeira, quando os servidores seguirão até o Palácio dos Despachos. Ao término da caminhada, uma assembleia será realizada a fim de estudar o respaldo do movimento. Se os trabalhadores avaliarem negativamente a postura do governo, uma greve por tempo indeterminado pode ser deflagrada.

"O período de nova avaliação da postura do governador e dos secretários junto ao pedido dos servidores começa hoje com a concentração na Sefaz e no Huse. Na quinta-feira, após a grande caminhada, vamos participar de uma assembleia para analisar a postura do governador e se houve apresentação de contrapropostas. O que não podemos aceitar é que a administração nos convoque para diálogo dentro do Palácio dos Despachos e nada de positivo nos seja atribuído", pontuou Shirley Morales, presidente do Sindicato dos Enfermeiros. Compõem ainda o movimento, o Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado de Sergipe (Sindjus), Sindicato dos Policiais Civis, e Sindicato dos Jornalistas (Sindijor).

Professores participam da paralisação

Em constante luta com o Governo do Estado, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese) anunciou na última terça-feira, 15, que também está apoiando o movimento grevista. Diante desta adesão, mais de 150 mil estudantes da rede estadual de ensino voltam a desocupar as salas de aula. Na avaliação do docente Alisson Costa Hermes, é preciso que o governo deixe de culpar a crise econômica vivenciada mundialmente como a única responsável para a geração de problemas apontados pelos servidores públicos como inconstitucionais. O crítico, que ministra aulas de história, disse entender o momento difícil vivenciado por todos os estados brasileiros, mas garantiu que existe falta de interesse por parte dos gestores públicos em tentar minimizar os efeitos negativos da crise.

"Essa greve vem sendo pré anunciada desde o final do mês de agosto e só agora eu percebo que uns secretários começam a aparecer para tentar contornar a situação. Sabemos que o nosso ato em conjunto vai gerar problemas para a população, mas se isso vai acontecer é porque faltou interesse lá atrás para tentar evitar que nós servidores chegássemos hoje e cruzasse os braços. É preciso se articular melhor porque se continuar com essa falta de interesse até quinta, a tendência é estender a greve por tempo indeterminado", informou Alisson Costa. Por meio de nota oficial a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) garantiu que o Governo de Sergipe permanece disposto a ampliar o debate dos pleitos sindicais e encontrar soluções para a situação, desde que nenhuma medida infrinja a Lei de Responsabilidade Fiscal.

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