Servidores estaduais mantêm paralisação

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Na manhã de ontem 27 sindicatos que com-põem o Movimento Intersindical dos Trabalhadores do Serviço Público do Estado de Sergipe deram início à paralisação geral que pode suspender até amanhã todas as atividades públicas. Para garantir que este movimento permaneça atuante apenas até a tarde desta quinta-feira, 24, é preciso que os gestores públicos busquem entendimento imediato com as categorias, caso isso não aconteça, a classe trabalhadora afirma que todos os profissionais que aderiram ao movimento permanecerão de braços cruzados por tempo indeterminado.

Reunidos em frente à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), cerca de 400 militantes sindicais protestaram contra a ausência de resposta para o pleito dos servidores públicos que tem sido apresentado ao estado desde março deste ano. Os grevistas destacaram em discursos que há mais de dois meses se encontraram em reunião com o vice-governador Belivaldo Chagas no Palácio dos Despachos, em Aracaju, a fim de encontrar soluções para os problemas. Foi apresentada uma promessa de criação de comissões de debate, mas até a noite da última segunda-feira, 21, nenhuma resposta, mesmo que negativa, foi apresentada. Sem contrapropostas que satisfazem os servidores, a greve foi avaliada como indispensável para o momento.

Coordenadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), e pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), as categorias pleiteiam a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), melhorias nas condições de trabalho, contratação de novos profissionais por meio de concursos públicos, bem como recomposição salarial para cada sindicato. Entre as 27 categorias que aderiram ao Movimento Intersindical dos Trabalhadores estão os profissionais da saúde pública representados pelo sindicato dos Enfermeiros, Médicos, Fisioterapeutas, Técnicos Administrativos e funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Atendendo a exigências da Constituição Federal, 30% dessas categorias permanecem trabalhando durante estes três dias de greve.

Segundo Shirley Morales, presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese), a mobilização coletiva foi deflagrada oficialmente no dia 11 deste mês. Trata-se de uma data simbólica apresentada pelos servidores como limite para que os gestores estaduais pudessem atender aos anseios reivindicatórios de cada sindicato. "Se estamos nas ruas, governador a culpa é sua! Infelizmente a saúde pública está um caos e não conseguimos avistar melhorias diante dessa falta de interesse do estado em conversar com os servidores. No dia 02 desse mês entregamos um documento oficial ao gabinete do governador informando que, caso as reivindicações não fosse atendidas até o dia 11, a greve seria inevitável. Não obtivemos nenhuma resposta e por isso estamos nas ruas protestando contra esse descaso", afirmou.

Finalizada a primeira etapa de discursos, os manifestantes seguiram em marcha pela Avenida Tancredo Neves com sentido à entrada principal do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde voltaram a dialogar com a população e explicar o motivo da greve geral. Para Rubens Marques, diretor da CUT / Sergipe, a integração popular dos sindicatos mostra, em mais uma oportunidade, a insatisfação vivenciada pela classe trabalhadora junto a atual forma administrativa adotada pelo governo estadual. Na avaliação exposta por Rubens durante o ato público, ficou evidente que os sindicatos não aceitam, ou não suportam mais ouvir o termo: ‘crise econômica nacional’, como resposta para o não repasse de direitos trabalhistas.
Até o presente momento, os sindicatos não tiveram a oportunidade de se encontrar oficialmente com o governador. "O que percebemos é que até hoje nós só estamos conversando com o vice, que assumiu o comando durante a cirurgia de pé realizada por Jackson, ou com secretários que não fazem nada sem o aval do palácio, ou seja, do próprio governador. Estamos dando uma volta e parando justamente no mesmo ponto de partida. Precisamos que o governador aceite e atenda aos nossos pleitos a fim de evitar que a greve prevista para três dias acabe se estendendo por tempo indeterminado", afirmou.
Para o dia de hoje a programação dos sindicatos apresenta uma série de manifestações separadas que serão realizadas em diversos municípios sergipanos. Segue paralisação nas regionais de saúde, e professores, também aderidos à greve, permanecem sem ministrar aulas.

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