Caminhada encerra greve no Estado

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

O último dia de Greve Geral promovido pelo Movimento dos Trabalhadores do Serviço Público do Estado de Sergipe foi marcado por uma grande caminhada realizada na tarde de ontem em Aracaju. Coordenados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), e pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), profissionais representando 27 categorias estiveram presente no ato público que registrou a presença de aproximadamente duas mil pessoas dispostas a permanecer pressionando o Governo do Estado para que implante o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), melhorias nas condições de trabalho, contratação de novos profissionais por meio de concursos públicos, bem como recomposição salarial para cada sindicato.
Concentrados desde as 14h nas intermediações do Parque da Sementeira, por volta das 15h45 os grevistas seguiram em marcha até o Palácio dos Despachos, onde promoveram uma assembleia e decidiram suspender a greve, porém já indicando uma série de novas paralisações, desta vez por tempo indeterminado. Conforme foi destacado em discursos realizados por líderes das duas centrais trabalhistas, a porta para negociações permanecerá aberta até às 17h de hoje. Caso nenhuma contraproposta que satisfaça os trabalhadores seja devidamente apresentada pelos gestores estaduais, cada sindicato envolvido no movimento dará início às respectivas assembleias e anunciará a partir de quando devem cruzar os braços e iniciar uma nova batalha administrativa contra o governo Jackson Barreto.

Entre as categorias atuantes na caminhada estiveram representantes do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese), Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa); Sindicato dos Bancários; Fisioterapeutas; Policiais Civis; Engenheiros; Psicólogos; Servidores da Justiça; Médicos; Auditores Fiscais; servidores da Emdagro, além do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese). De acordo com o presidente do Sintasa, Augusto Couto, os três dias de greve foram marcados pela união dos trabalhadores que se mobilizaram em todos os municípios sergipanos. Para que os avanços pleiteados de fato possam ser conquistados pelos profissionais atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS), o sindicalista garante que as reuniões em assembleias devem começar já a partir da próxima semana.
 "Queremos mostrar ao Governo do Estado que não adianta fazer pressão, mas que atenda as nossas reivindicações. Estamos há três anos sem ter reajuste salarial. O Governo precisa saber o poder que tem os trabalhadores", enfatizou o presidente. Direto de Brasília, onde participava de atividades sindicais que visam garantir o repasse integral dos direitos trabalhistas conquistados pelos enfermeiros de Sergipe, Shirley Morales, presidente da Seese, também informou que assembleias irão ocorrer até o último dia útil de setembro.

Sem conflitos, a macha da classe trabalhadora não foi vistoriada de perto por agentes da Polícia Militar e Guarda Municipal de Aracaju. Durante o ato apenas funcionários da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) atuavam na tentativa de minimizar as desordens geradas ao fluxo de veículos. Por mais de uma hora e meia partes das avenidas Hermes Fontes e Adélia Franco ficaram inviabilizadas para carros e motos. Na avaliação exposta por Edival Góis durante os discursos realizados em frente ao Palácio dos Despachos, ficou claro que a classe trabalhadora não suporta mais ouvir o termo: ‘crise econômica nacional’, como resposta para o não repasse de direitos trabalhistas. Paralelo a essa análise, as categorias cobram uma reunião com o governador.
Por meio de nota oficial a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) garantiu que o Governo de Sergipe permanece disposto a ampliar o debate dos pleitos sindicais e encontrar soluções para a situação, desde que nenhuma medida infrinja a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Raio X – Na manhã de ontem, também fazendo parte da Greve Geral, a direção do Sintese se reuniu com a imprensa a fim de denunciar os possíveis altos gastos com a folha de pagamento de trabalhadores terceirizados e ocupando CCs. Segundo os professores, os 130 milhões de reais utilizados por ano pelo Governo de Sergipe servem para pagar 4.256 cargos comissionados existentes no serviço público estadual. O dado foi extraído do estudo feito nos últimos três meses diante de informações publicadas no Diário Oficial e no Portal da Transparência do Estado de Sergipe. Foram pesquisadas todas as secretarias de Estado, empresas públicas e autarquias. A pesquisa tomou como base os meses de maio, junho e julho de 2015.

A Secretaria de Estado da Educação conta com o maior número de CC’s e FC’s (no total 931) do governo. "O alto número de CCs comprova o que temos denunciado. Não há política de valorização para os servidores públicos efetivos. O que vemos é uma avalanche nas nomeações de cargos comissionados. Enquanto isso os servidores da administração geral estão sem reajuste há 3 anos e os professores sem o reajuste do piso", informou a presidenta do sindicato, Ângela Melo.

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