Gabriel Damásio
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Um novo crime chocou e revoltou os agentes penitenciários do Estado. No começo da noite desta quinta-feira, o agente José dos Santos, o ‘Zezinho’, 69 anos, foi executado com cinco tiros dentro da própria casa, no centro de Maruim (Vale do Cotinguiba). De acordo com a polícia, o homicídio foi cometido por um bandido armado que chegaram a rondar a residência por pelo menos duas vezes, a bordo de uma moto e depois invadiu a casa para dar tiros contra a vítima. ‘Zezinho’ era lotado no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju), mas estava de férias e já havia dado entrada em seu processo de aposentadoria.
O assassinato aconteceu por volta das 17h, quando José descansava em uma poltrona na sala principal da casa. A esposa da vítima estava em uma sala contígua e percebeu que a moto com o assassino passou uma vez pela porta e parou na segunda volta. Imediatamente, o criminoso disparou dois tiros nas costas do agente, que ainda saiu da cama e se arrastou pelo chão para tentar se proteger. Não satisfeito, o matador desceu da moto, entrou na casa e atirou mais três vezes. O último disparo acertou a cabeça de José, matando-o na hora. Em seguida, o criminoso fugiu. A mulher não foi atingida. Ela relata que o criminoso, um homem forte e de estatura baixa, usava um capacete e camisa vermelha listrada em vermelho e amarelo.
O crime pegou de surpresa os agentes penitenciários, que descrevem ‘Zezinho’ como um colega bastante próximo a eles e dedicado ao trabalho. "Ele era uma pessoa muito querida. Tinha em seu semblante sempre um sorriso. Só vivia nisso. Ele sempre brincava, sempre ria, sempre conversava com os agentes… nunca se via tristeza no ‘Zezinho’. Não acredito que ele tivesse inimigos e realmente não sabemos ainda por que isso foi feito e de que forma isso foi feito. Esperamos que a polícia chegue logo a esse marginal que matou o seu ‘Zezinho’", disse o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindipen), Edilson Souza, ao classificar o crime como uma ‘execução sumária’.
Ainda de acordo com o sindicalista, outras duas características chamaram a atenção. Na primeira, o assassino teve tempo de se ajoelhar diante do agente para mirar e disparar contra a cabeça dele, no momento em que o mesmo tentava chegar a um quarto para pegar sua arma e reagir ao ataque. Na segunda, durante a fuga, o criminoso teve dificuldade para fazer a moto funcionar, chegando a pisar várias vezes na alavanca de ignição e empurrar a moto, até conseguir dar a partida. "O povo olhava e não podia fazer nada", lamentou Edilson. Além de José e da esposa, um irmão da vítima estava na casa, mas ele saiu antes do crime.
O corpo do agente foi velado em um salão público da Prefeitura de Maruim e enterrado ao fim da tarde no cemitério local. Ele era casado, pai de dois filhos e avô. José estava há 32 anos no serviço público e iria se aposentar em novembro deste ano. O assassinato é investigado pela Delegacia de Maruim, que ainda não tem pistas dos assassinos.
Outro agente – O assassinato de ‘Zezinho’ aconteceu a pouco mais de um mês da morte do também agente prisional Antônio Nascimento Nogueira o ‘Tonho da Lua’, 49 anos, baleado no peito em 21 de agosto por um dos 20 presos que fugiram do Presídio Regional Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora da Glória (Sertão). Os detentos estavam armados com cerca de quatro pistolas que teriam sido repassadas de fora da cadeia, segundo as principais suspeitas da polícia. O preso apontado como autor do tiro fatal, Josinaldo da Purificação Santos, o ‘Naldo’, foi recapturado no último dia 2 e nega ter matado o agente.
A proximidade entre as duas mortes aumentou ainda mais a indignação dos agentes, que reclamam das condições de trabalho e de segurança oferecidas pelo Estado aos servidores do sistema prisional, tanto os da ativa quanto aos aposentados, que não ficam com as armas recolhidas. "A própria arma que ele tinha era dele, um revólver 38. Farda não se tem. Hoje existem cerca de 30 coletes para 600 agentes e boa parte delas está vencida. O nosso colete è a prova de balas é o nosso corpo, a nossa roupa, nossas pernas. E a gente não vê a preocupação do governo em adquirir nossos Equipamentos de Proteção Individual. Assim vamos brincando de fazer segurança pública e vidas e mais vidas de agentes estão sendo ceifadas", critica Edilson, cobrando que o governo melhore as condições de trabalho e segurança dos agentes penitenciários.


