Greve dos bancários deve fechar agências, à exceção do Banese

Milton Alves Júnior

Começa hoje e segue por tempo indeterminado a Greve Geral das instituições bancárias em Sergipe. Com exceção dos servidores do Banese, que aceitaram a proposta da direção e seguem pelo segundo ano sem aderir ao movimento nacional de lutas, todos os demais bancários estão de braços cruzados para pleitear reajuste salarial de 16%, sendo 5,7% de aumento real, participação nos lucros e resultados (PLR) de três salários mais parcela fixa de R$ 7.246,82; além do repasse de décimo quarto salário. A categoria ainda exige aumento no valor dos vales refeição, auxílio creche/babá, garantia de emprego e fim da pressão por metas e do assédio moral.

A lista reivindicada é de fato extensa e pode chamar a atenção negativa por parte dos milhões de clientes que ficarão sem o serviço disponível, mas o Comando Nacional dos Bancários (CNB), assim como a direção do Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe (SEEB) explicam as razões que levaram a categoria deflagrar a paralisação. Conforme contas feitas pela categoria, entre os meses de janeiro e junho deste ano os seis maiores bancos atuantes no Brasil faturaram cerca de 32 bilhões de reais apenas com os lucros líquidos. A contabilidade em Sergipe contou com o apoio do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Para este segundo semestre, devido ao aumento na arrecadação financeira natural de todos os bancos, a perspectiva é de lucro anual batendo na casa dos 75 bilhões de reais. Isso significa um aumento de até 27% se comparado com o mesmo período do ano passado, e até 38% se comparado com todo o ano de 2013. Para a presidente sindical, Ivania Pereira, a greve por tempo indeterminado foi inevitável diante das dificuldades em dialogar com a Federação Nacional dos Bancos (Febraban), que representa todas as instituições bancárias, sejam elas públicas ou particulares. Até a noite de ontem a única proposta apresentada pela federação foi de 5,5% de aumento salarial e abono no valor de R$ 2.500.

"Infelizmente estávamos aguardando uma contraproposta no mínimo acima da inflação e o que percebemos foi uma apresentação incoerente com a categoria na qual gera uma perda de 4% para todos os profissionais bancários. Em assembleia a classe trabalhadora decidiu aprovar a proposta de greve geral e assim vamos seguir conforme apresentado nacionalmente pelo Comando Nacional dos Bancários. Desde já estamos ressaltando interesse em prosseguir com os diálogos junto aos administradores de cada banco que estão com as atividades paralisadas a partir de hoje", informou a presidente. A mobilização dos bancários conta com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Ainda de acordo com Ivana Pereira, o Banco do Estado de Sergipe sempre se mostrou interessado em dialogar com a categoria e evitar que uma greve geral fosse aprovada pelos respectivos funcionários. Apesar dos avanços antes avaliados, indícios levavam a crer no retrocesso do diálogo e esse mar de incertezas levou dezenas de baneseanos a aprovar a greve. Após a assembleia geral, uma nova contraproposta foi apresentada pela instituição estadual e o conteúdo oficializado pelo presidente agradou a maioria. A proposta, inclusive, foi encaminhada para a direção do SEEB assinada em todas as vias pela direção executiva do Banese como forma de garantia no repasse das propostas.

"Apresentamos a lista de pleitos atendidos, mesmo que parcialmente, avaliamos a postura como ética e positiva para os trabalhadores e enfim foi decidido pela permanência das atividades. Ou seja, ressaltamos mais uma vez que de hoje em diante as atividades no Banese permanecem em caráter normal. É esperado que o movimento dentro das agências do Banese aumente devido à greve dos demais bancos, mas as atividades permanecem seguindo cronograma natural de funcionamento público", pontuou a presidente. Durante a paralisação é indicado utilizar as casas lotéricas e as centrais de autoatendimento para realizar pagamentos e transferências.

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