A semana começou com novos protestos contra a Prefeitura de Aracaju. Na manhã de ontem, por volta das 8h feirantes que atuam no Mercado Albano Franco se reuniram na avenida Ivo do Prado com a proposta de criticar mais uma vez a instalação do Rotativo Aju nas intermediações do mercado central. Conforme contabilidade apresentada pelos trabalhadores, a renda semanal caiu cerca de 40% no último final de semana, se comparado aos demais períodos do ano. Essa queda na arrecadação é reflexo da falta de consumidores interessados em pagar para deixar seus veículos no amplo estacionamento localizado nas proximidades dos mercados Albano Franco, Thales Ferraz e Antônio Franco.
Diferente da era Parquímetros, em administrações anteriores, desta vez todo o entorno do centro comercial foi delineado para facilitar a cobrança de tarifa realizada por uma empresa não sergipana, e que possui a assistência operacional da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Durante o ato de ontem os manifestantes informaram que irão promover outros atos públicos, inclusive com o apoio dos flanelinhas, na tentativa de pressionar o prefeito João Alves Filho e garantir que a cobrança na localidade seja extinta dos planos municipais. A proposta das classes trabalhadoras é resistir aos anseios financeiros da atual gestão.
Para a vendedora de verduras Ana Flávia Souza, 38 anos, a falta de diálogo entre o prefeito e os feirantes favoreceu para a ampliação dos atos. Segundo Ana, que trabalha no espaço há 25 anos em companhia do pai, durante a campanha eleitoral de 2012 João Alves esteve no mercado e apresentou outras propostas para os problemas antigos. "Ele veio aqui dizer que iria melhorar todo esse mercado. Seria uma obra geral e que iria ter até um estacionamento para cinco mil vagas aqui na área externa. O tempo passou, ele não fez mudança nenhuma aqui dentro e lá fora ele quer cobrar pelo estacionamento. Uma coisa que nem Edvaldo e Déda fizeram quando foram prefeito. João nos enganou e por isso estamos protestando", disse.
Durante a realização da terceira manifestação dos feirantes em menos de 15 dias, fiscais da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) foram vistos com pranchetas realizando anotações desconhecidas. Ciente da ocorrência, o vendedor de peixe José Miguel dos Santos informou que perseguições administrativas estão ocorrendo com frequência no maior mercado alimentício de Aracaju. Ele destacou que desde o início das denúncias realizadas na mídia sobre a série de roubos nas bancas, servidores municipais que atuam como administradores do mercado ficam perseguindo psicologicamente todos aqueles vendedores que concedem entrevistas ou participam de atos públicos semelhantes ao realizado na manhã de ontem.
Flanelinhas – Na edição do último sábado o JD mostrou a difícil realidade financeira enfrentada pelos flanelinhas após a Prefeitura de Aracaju ter implantado o sistema de administração das vagas de estacionamento. Ontem estes trabalhadores voltaram a protestar sob mira dos agentes da Guarda Municipal. Na avaliação do guardador e lavador de carros Alberto Junior, falta bom senso por parte da atual gestão. Duro nas palavras, ele disse não suportar ouvir um gestor público ir a uma rádio local para defender o Rotativo Aju. As críticas renderam respaldes negativos até para os vereadores que compõem o grupo de apoio ao prefeito e aprovaram a instalação do sistema.


