Milton Alves Júnior
O primeiro dia de greve dos bancári-os em Sergipe foi marcado por muito tumulto e sistema eletrônico de autoatendimento fora do ar por mais de oito horas. No Centro de Aracaju centenas de pessoas se aglomeravam nas portas dos bancos na esperança de serem atendidas. Já no interior do estado houve princípio de tumulto entre gerentes e clientes nos municípios de Tobias Barreto, Arauá, Umbaúba, Estância e Nossa Senhora do Socorro. A Polícia Militar necessitou ser acionada a fim de acalmar os ânimos e minimizar os conflitos. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB), a perspectiva é de abrangência dos impasses por tempo indeterminado.
Desde o último mês de março, representantes do Comando Nacional dos Bancários (CNB) estão dialogando com as instituições bancárias e pleiteando um reajuste salarial de 16%, sendo 5,7% de aumento real sobre a inflação, participação nos lucros e resultados (PLR) de três salários mais parcela fixa de R$ 7.246,82; além do repasse de décimo quarto salário. A categoria ainda exige aumento no valor dos vales refeição, auxílio creche/babá, garantia de emprego e fim da pressão por metas e do assédio moral. Apesar da pressão estabelecida pelos bancários, até a última segunda-feira, 05, a única contraproposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi de 5,5% de aumento salarial e abono no valor de R$ 2.500.
Desde a assembleia realizada na última quinta-feira, 01, na sede do SEEB, o Jornal do Dia tem acompanhado o movimento da categoria. Nas primeiras horas de ontem o tumulto nas agências do Bradesco chamou a atenção. A presidente do sindicato, Ivânia Pereira, disse avaliar a situação com estranheza, já que até a noite da segunda-feira todos os serviços permaneciam disponíveis para os clientes. Até o momento a estimativa é que aproximadamente 80% das agências bancárias tenham aderido ao movimento. Com a continuação da paralisação, essa porcentagem deve alcançar números mais representativos para a comissão grevista.
Por aceitar uma nova proposta apresentada aos seus servidores, apenas o Banco do Estado de Sergipe (Banese) permanece funcionando dentro da normalidade. Segundo Ivânia Pereira, o primeiro dia do movimento foi satisfatório. "A ideia da categoria era justamente já começar essa greve geral com a adesão da maioria. Todas as agências seguem fechadas até o momento em que os banqueiros, que só visam o lucro, possam começar a respeitar os anseios trabalhistas da classe funcional e apresentem, no mínimo, uma contraproposta digna. Essa primeira é uma vergonha que desrespeita a honra dos bancários que usam farda de gerente, mas no fundo recebem salários medíocres", afirmou.
Com poucas informações e gerentes disponíveis a dialogar com a população, filas se formavam do lado de fora das agências. Já nos departamentos internos dedicados apenas para os cashs a situação era caótica, onde centenas lutavam por um espaço. A cena chamou a atenção do SEEB que disse ter acionado o departamento jurídico para analisar a ocorrência. "É lamentável e no mínimo estranho chegar nessas agências e perceber que o sistema está fora do ar. Queremos deixar claro que os caixas e atendimentos pessoais estão suspensos, mas todas as centrais de atendimento devem permanecer normalizadas. Não queremos julgar ninguém, mas não descartamos a possibilidade de
Souza – Essa é a primeira greve geral viabilizada pelos servidores após a morte do militante sindical José Souza que, por mais de 30 anos compôs a direção do Sindicato dos Bancários. "Essa luta é nossa e do povo. Ficam aqui duas reflexões. A primeira da importância de Souza para a categoria; e a segunda referente ao Banese. O banco estadual faturou até junho 32 milhões de reais. Faturamento bem abaixo dos demais, mas foi o único a se interessar em dialogar de forma mais progressiva com os trabalhadores", discursou o bancário Alisson Torres do Nascimento. A mobilização dos bancários conta com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).


