Morte no ônibus: entregam-se os últimos acusados

Gabriel Damásio

Já estão apreendidos todos os cinco adolescentes envolvidos com a morte da auxiliar de produção Taís da Silva dos Santos, 21 anos, baleada em um arrastão contra passageiros de um ônibus na Avenida Euclides Figueiredo, bairro Soledade (zona norte de Aracaju), nesta terça-feira. Os dois menores que ainda estavam foragidos já se entregaram à Polícia Civil, depois de negociarem a rendição através de suas famílias.

O último deles, de 17 anos, que ajudou a roubar os pertences dos passageiros do coletivo, se apresentou ontem à tarde na Delegacia Especial de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), no Capucho (zona oeste). Antes, ele foi levado pelos tios até a sede da TV Sergipe, na Cidade Nova (zona norte), e pediu que uma equipe de reportagem da emissora acompanhasse a ida dele à delegacia. Segundo a família, o pedido foi para garantir a integridade física do acusado e evitar que ele fosse capturado por policiais ou sofresse represálias devido à grande repercussão do crime.

Na noite de anteontem, o rapaz de 16 anos apontado como autor do tiro que matou a passageira se rendeu em uma escola na zona norte da capital, depois de uma tensa negociação por telefone com o delegado João Martins Cunha, responsável pelo caso. Depois de ser detido na unidade de ensino, ele prestou depoimento e confirmou que usava um revólver calibre 32, cujo projétil foi encontrado no corpo de Taís. No entanto, segundo o delegado, o rapaz alega que o tiro fatal aconteceu ‘por acidente’.

"Ele afirmou que apertou o gatilho porque a vítima jogou a bolsa na sua direção e, quando a alça da bolsa pegou na mão dele, a arma ia cair. O menor diz que, num ato involuntário, para segurar a arma e evitar que ela caísse, o gatilho disparou, porque ele já tinha puxado o ‘cão’ [percussor, a peça da arma que detona a munição], e o gatilho estava sensível. Não sabendo que tinha atingido a vítima, ele fugiu e só duas horas depois ele ficou sabendo do resultado daquele disparo", explica o delegado. A arma do crime, no entanto, não foi encontrada.

Caso concluído – Os outros três envolvidos no latrocínio, que têm entre 13 e 17 anos de idade, foram apreendidos na quarta e quinta-feira, após serem reconhecidos em imagens gravadas pelo circuito interno de TV do ônibus onde o crime aconteceu. Em uma casa na Soledade, onde moram dois dos acusados, foi encontrada uma fogueira onde parte dos objetos roubados dos passageiros foi queimada, além de bolsas, celulares e quatro cartões de vale-transporte, sendo um deles com o nome de Taís da Silva, a passageira assassinada.

João Martins informou que todos os adolescentes já foram ouvidos na presença dos pais e dos advogados, o que lhe permite concluir rapidamente o inquérito policial sobre o assalto. A previsão do delegado é que toda a documentação seja entregue à Justiça já nesta terça-feira, com os respectivos pedidos de internação provisória. Os cinco envolvidos devem responder pelo ato infracional de latrocínio e, pela lei, só podem ficar detidos por, no máximo, três anos.

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