Equipe do Samu é assaltada na madrugada durante atendimento

Milton Alves Junior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Na madrugada de ontem mais uma vez servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), se tornaram alvo de bandidos em Aracaju. Desta vez o caso foi registrado por volta das 00h30 no Conjunto Almirante Tramandaré, bairro Santos Dumont, quando uma equipe foi acionada para atender uma usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto enfermeiros e médicos estavam prestando os primeiros socorros na área interna da residência, dois homens se aproximaram do motorista e subtraíram os respectivos bens. No momento da fuga, um dos acusados ainda teria tentado invadir a residência para furtar outros profissionais que prestavam serviços médicos, mas a proposta acabou sendo abortada pelo próprio indivíduo.

Diante dos mais recentes fatos de violência contra os profissionais do sistema, o Sindicato dos Servidores do Samu voltou a reivindicar o apoio operacional da Polícia Militar de Sergipe em casos de vulnerabilidade das equipes. Só este ano, ao menos até o presente momento, cinco ocorrências de roubo já foram oficializadas por meio de boletim policial. Além dos furtos provocados sempre por grupos de marginais, atos de depredação às ambulâncias também já foram noticiados pelos profissionais. Assim como ocorreu em outras situações semelhantes, a equipe do Samu chegou a prestar boletim de ocorrência na Delegacia Plantonista, em Aracaju, mas os suspeitos fugiram, e até a tarde de ontem não haviam sido encontrados.

Para o motorista de ambulâncias Mário Jorge, esse tipo de situação é vivenciado quase que diariamente pelos profissionais do Samu. Segundo o condutor que se solidarizou com o colega de profissão, é preciso que o Governo do Estado busque identificar tipos de ferramentas tecnológicas que possam colaborar para o fim de episódios violentos como estes. "A gente vive recebendo ameaças quase todos os dias e em algumas ocasiões acabamos sendo roubados como aconteceu na madrugada de ontem, ou mesmo sendo agredidos pelos populares que às vezes acham que o Samu demorou e a culpa é nossa. É preciso criar proteção para nossa categoria porque não somos pagos para apanhar na rua, muito menos perder nossos pertences para marginais que chegam a botar a arma na nossa cabeça", afirmou.

Compartilhando com as declarações do condutor, a enfermeira Aline Bispo destacou a importância de existir duas viaturas da Polícia Militar ou quatro homens do Grupamento Tático de Motos (Getam) disponíveis apenas para atender a demanda do Samu. De preferência que as equipes militares estejam sempre nas intermediações da base das ambulâncias a fim de agilizar a proteção caso seja necessária. "Se fizerem isso vão nos deixar mais tranquilos. Não necessariamente precisam ficar na nossa cola, mas se voltarmos ao Tamandaré, por exemplo, esses militares nos acompanhariam e enquanto estamos atendendo o paciente eles estariam realizando rondas nas ruas próximas. Iria nos deixar mais à vontade para trabalhar e melhorariam até a segurança de alguns bairros", disse.

Detalhes – Por meio de nota, a superintendência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência informou que "o condutor de ambulância D.A.L ,30 anos, foi abordado por três indivíduos que portavam arma branca e levaram carteira, documentos e celular do condutor. O fato ocorreu durante atendimento a uma paciente vítima de crise hipertensiva. A gestão da Secretaria de Estado da Saúde (SES) através da Fundação Hospitalar da Saúde (FHS), por meio do Samu 192 Sergipe, se solidariza com o condutor e ressalta que providências já foram tomadas junto à Secretaria de Segurança Pública (SSP/SE), através da Polícia Civil", informou.
A gestão do Samu esclareceu ainda que, "mesmo com o fato ocorrido, a equipe assistencial prestou todo atendimento pré-hospitalar necessário e a paciente foi encaminhada ao Hospital Municipal Nestor Piva", pontuou.

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