Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Confabulando com os meus botões, entronado no conforto do próprio umbigo, sou muitas vezes surpreendido por uma fantasia vaidosa. No futuro, caixa abarrotada por tudo quanto é esperança, os interessados na música dos meus vinte e tantos anos seriam obrigados a fuçar os arquivos do Jornal do Dia para entender essa história.
Traças e poeira recompensariam, então, olheiras e ressacas. Convertido em elo, meu verbo salvaria uma pilha de papel imensa do redemoinho faminto que engole o calendário. Tudo devidamente ilustrado pela competência de uma dupla de fotógrafos que encontrou nas feições contorcidas de nossos músicos o motivo mais apropriado para abrir os olhos e ouvidos dos incautos. No caso da Snapic, cada imagem é um argumento poderoso e realmente vale mais do que mil palavras.
‘Música pra ver’, o primeiro livro de fotografia dedicado exclusivamente à música sergipana, foi lançado com todo o barulho que Victor Balde e Arthur Soares merecem. A festa atraiu tanta gente que ficou impossível conferir a exposição que ocupou galeria Jenner Augusto, na Sociedade Semear, há três anos. Entre os convivas, os personagens que me oferecem a oportunidade de escrever com algum esmero e transpiram inspiração nas 80 páginas do volume. É no suor e na determinação dessa galera que se escora o trabalho da Snapic.
Como bem disse o chapa Adelvan Kenobi, em resenha publicada no blog do Programa de Rock, os livros ficam. Com este, ficam também os capítulos mais felizes da nossa música – Henrique Teles, iluminado; Márcio e Alex tocando a fuleiragem; Patrícia Polayne de peito aberto em cima do palco; a elegância jazzy dos nossos homens de preto; Diane Veloso e uma taça de vinho; as várias facetas de Sílvio; Elvis Boamorte cheio de marra; Dani militando como autêntica riot girl; além, é claro, das aparições explosivas dos Baggios.
Eu já gastei muito latim para deitar o espanto provocado por essa turma no papel. As lentes da Snapic chegaram mais perto. E o resultado pode ser conferido agora em audiovisual. O documentário ‘Snapic/Música pra ver’ (2015), um depoimento em primeira pessoa, resgata o projeto que deu cara à música da aldeia, e pode ser conferido na página oficial: www.snapic.com.br. De encher a vista.


