Márcio Macêdo: "Congresso não pode seguir a orientação de um chantagista"

O secretário nacional de Finanças do PT, Márcio Macêdo, afirmou ontem que "não acredita que os deputados e senadores do Brasil vão querer entrar para a história por terem apoiado um processo de impeachment arbitrário, seguindo a orientação de um chantagista sem condições éticas e morais, contra uma presidente íntegra e honesta". Ex-deputado federal, ele defendeu que os movimentos sociais, estudantis, sindicatos, entidades da sociedade civil, militantes petistas e partidos aliados "lutem contra o golpe que querem dar na democracia brasileira". "O meu sentimento é de indignação. Eu estarei nas ruas. Não me acovardarei", avisou.

Entrevistado na rádio Ilha FM, Márcio Macêdo foi duro nas críticas ao presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "Alguém que está com as mãos enlameadas quer sujar a trajetória política de uma mulher contra quem não há qualquer indicio de corrupção ou malfeito", disse. "Cunha age por insanidade e por vingança. Ele tem ação revanchista, pois se sente ameaçado em seus interesses pessoais e em seu futuro político. Não tem legitimidade. Ele tenta esconder o processo que está passando atrás do impeachment", complementou.
O secretário de Finanças também condenou o apoio dado pelo PSDB ao processo, sobretudo pelo presidente nacional da sigla, senador Aécio Neves. Márcio Macêdo lembrou que o avô do tucano, Tancredo Neves, de quem o parlamentar se diz "herdeiro político", esteve ao lado de Getúlio Vargas e de João Goulart, em momentos nos quais o país esteve sob tentativas golpistas.

"Aécio deveria seguir o exemplo do avô dele. Tancredo esteve ao lado de Getúlio e de João Goulart. Quando o presidente da Câmara declarou aberta a vaga da Presidência da República, naquela manobra na qual tentaram dar um verniz constitucional para o golpe militar, Tancredo se levantou e gritou ‘Canalhas, canalhas, vocês estão dando um golpe’. Aécio deveria seguir o exemplo do avô. Ele não deveria participar desta canalhice", opinou.
Na entrevista, Márcio Macêdo destacou as iniciativas que ganham corpo em toda a sociedade contra o impeachment. Ele citou a Carta dos Governadores do Nordeste, a posição da CNBB, as declarações das OABs, o Manifesto da CUT, além das declarações do governador do Rio, Fernando Pezão, e do prefeito carioca Eduardo Paes. O petista também ressaltou a nota divulgada pelo governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB).

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