Milton Alves Júnior
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Pela primeira vez neste ano de 2016 usuários do transporte público da Grande Aracaju saíram às ruas e avenidas a fim de protestar contra o reajuste de 14,81% no valor da passagem. Mesmo tendo que enfrentar o tempo chuvoso que predominou na capital sergipana, estudantes, centrais sindicais e movimentos urbanos se uniram para novamente ressaltar a insatisfação com o valor de R$ 3,10, como também com o precário sistema público oferecido a mais de 300 mil passageiros. Se comparado com todas as capitais da região Nordeste, Aracaju apresenta a segunda maior tarifa de ônibus, atrás apenas de Maceió, capital de Alagoas. Esta semana a cidade que já foi eleita com a melhor qualidade de vida voltou a ter destaque negativo em âmbito nacional por estar entre as cinco capitais com maior índice de reajuste da tarifa.
Durante a mobilização de ontem o grupo realizou pronunciamentos na porta do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), e na Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Segundo destacou o Movimento ‘Não Pago’, responsável por promover a marcha, o TJ trata-se de um departamento especial por ter o poder de veto da Lei 245/2015 sancionada na última semana de 2015 pelo prefeito João Alves Filho. Com o reinício das atividades na manhã de hoje, após cerca de 15 dias de recesso, a perspectiva dos manifestantes é que o poder judiciário possa intervir contra os interesses dos empresários e a favor dos anseios apresentados pela população usuária do sistema coletivo.
Ao Jornal do Dia, Flávio Marciel, membro do movimento, disse acreditar no bom senso dos magistrados do TJ em Sergipe. O retorno do recesso, na opinião do militante, logo pode significar mais uma vitória dos aracajuanos e demais contribuintes que dependem dos ônibus coletivos para se locomover na região que abrange a Grande Aracaju. "Não poderíamos realizar essa mobilização e não botar na programação uma atividade na frente do Tribunal de Justiça. Nessa quinta-feira os juízes estão de volta e esperamos que nossa Ação Popular seja julgada", disse.
Já por volta das 17h30, diante da Câmara de Vereadores, os mais de 120 manifestantes aproveitaram para criticar e citar o nome dos 10 vereadores que votaram a favor do reajuste. Entre eles, esteve o nome do parlamentar Vinicius Porto, presidente da casa legislativa e responsável pelo voto de minerva, quando o placar final apresentava nove vereadores a favor do projeto, e nove contra. Na avaliação feita por Demétrio Varjão, economista e colaborador do Não Pago, todo o processo de análise e votação do pedido de reajuste foi realizado sem nenhuma participação dos cidadãos que usam o transporte público.
Para ele, é preciso que a população possa se unir com o propósito de derrubar esse reajuste. "Não aceitamos esse reajuste lamentável que mais uma vez o prefeito e alguns vereadores foram condizentes com os interesses do setor empresarial, e não devemos nos manter de braços cruzados. A luta deve continuar não apenas por causa dos centavos acrescentados, mas sim por valorização da democracia. Hoje a administração municipal atua sem sequer ouvir o povo. Povo este que elegeu os candidatos que tanto prometeram defender os interesses dos aracajuanos", afirmou.
Colhendo assinaturas desde o dia 28 de dezembro, o grupo reafirmou na tarde de ontem que este mês de janeiro será de luta contra a falta de democracia estabelecida pela atual gestão municipal. A meta é conquistar cerca de 200 mil assinaturas e na sequência encaminhar para o Tribunal de Justiça de Sergipe.
Em meio aos manifestantes estavam moradores do município de São Cristóvão que, mesmo residindo em cidade distinta, também são obrigados a pagar a tarifa estabelecida por Aracaju. Para o representante do Povoado Pedreiras, Rafael Santos, a batalha deve ser enfrentada por todos os moradores que formam os cinco municípios da Grande Aracaju. "Lá onde moro os ônibus que passam são velhos, acabados e quebram direto. Das últimas vezes lamentava o aumento, mas ficava na minha. Dessa vez um grupo da minha comunidade está aqui para protestar também contra esse absurdo comandado por João Alves", afirmou.
Após a caminhada, um grupo seguiu para a sede do Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe (SEEB), onde debateram a probabilidade de outros grupos sindicais se unirem ao movimento e lutar contra o atual reajuste da tarifa. Outras manifestações estão previstas para ocorrer até o final deste mês. A programação para a próxima semana está em discussão e deve ser anunciada até a tarde de amanhã.


