João Daniel está otimista com o Brasil em 2016

Os setores golpistas, que lutam pelo impeachment, querem é acumular mais riqueza e garantir que a população trabalhadora perca conquistas garantidas nos últimos 12 anos pelo Governo do Partido do Trabalhadores (PT). A avaliação é do deputado federal João Daniel (PT/SE), único representante do Partido dos Trabalhadores de Sergipe na Câmara Federal. Para ele, 2015 foi de muitos problemas políticos e econômicos, mas o parlamentar acredita que 2016 será um ano de superar as dificuldades e consolidar o Governo da presidenta Dilma. "O Governo da presidenta Dilma foi eleito legitimamente pela maioria da população brasileira, e, portanto, não há o que se questionar", defende João Daniel. Em entrevista ao Jornal do Dia, João Daniel fala sobre PT, disputa da Prefeitura de Aracaju e primeiro ano de mandato.

Jornal do Dia – 2015 trouxe questionamentos contra o Partido dos Trabalhadores (PT), partido ao qual o senhor é filiado, inclusive, com a abertura do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, eleita pelo PT? Quais as perspectivas para 2016?

João Daniel – Estamos trabalhando com otimismo. Acreditamos que o ano de 2016 possa melhorar em todos sentidos, econômico, político, social. Esperamos que os adversários que perderam a eleição respeitem a decisão e disputem as eleições em 2018, democraticamente. O Governo da presidenta Dilma foi eleito legitimamente pele maioria da população brasileira, e, portanto, não há o que se questionar. Na verdade, não é apenas a questão do impeachment da presidenta Dilma (Rousseff). O que se está trabalhando, liderado pelo PSDB, (Eduardo) Cunha, pelas forças conservadoras, é interromper um processo de avanço de conquistas sociais e melhorias da condições de vida da população brasileira. Esses setores golpistas, que lutam pelo impeachment, querem é acumular mais riqueza e garantir que a população trabalhadora perca conquistas garantidas nos últimos 12 anos pelo Governo do Partido do Trabalhadores.

JD – Nos últimos anos, o PT foi protagonista na condução política e eleitoral aqui em Sergipe, espaço que foi perdido mais recentemente pelo partido. Onde o PT errou?

João Daniel – O PT continua participando ativamente das decisões políticas em Sergipe. Ganhou as eleições de Aracaju com o Marcelo Déda, reelegeu Marcelo Déda como governador e foi o primeiro partido a apoiar Jackson Barreto para o Governo do Estado. Nosso partido continua forte, com aumento de filiações, estruturação dos diretórios municipais e num grande debate de participação interna com todos filiados e militantes. E o mais significativo: vejo que o PT em Sergipe tem o que mais importa para um partido ligado aos trabalhadores, que a vinculação com os movimentos sociais, popular e sindical, do campo e da cidade. Esse é principal motivo da criação do nosso partido: nos colocar à disposição na luta por uma sociedade democrática e popular.

JD – O ano começa já com algumas alianças para a eleição à Prefeitura de Aracaju, agora em 2016. O PT caminhará com a deputada estadual Ana Lúcia numa candidatura própria, como já anunciado?  Há espaço para um rearranjo, como novas alianças e nomes?
João Daniel – A nossa posição é a de termos uma candidatura própria na capital. Um dos nomes mais debatidos, com história, compromissos, experiência, no quarto mandato como deputada estadual, é o da deputada Ana Lúcia. Mas é lógico que o partido é quem define. Essa a nossa vontade e também a do presidente estadual do partido, Rogério Carvalho, e de toda a militância com quem temos debatido. Mas claro que temos interesse que outros partidos componham esse projeto, bem como respeitamos a liderança do governador Jackson Barreto nas discussões. E no nosso próprio partido poderão surgir outros nomes para debate.

JD – Que avaliação o senhor faz das administrações municipais petistas aqui no Estado?

João Daniel – Todas as nossas administrações petistas que acompanho, vejo os prefeitos fazendo um grande trabalho. Vejo que são exemplo de seriedade, trabalho e e esforço para melhorar os municípios. É isso que queremos, ampliar os número de prefeitos, de administrações comprometidas com as cidades e com a construções das melhorias  para a população em todas as áreas. Um dos pontos que o nosso partido trabalha nas administrações é a participação popular. Ouvir a população para pensar estrategicamente o município a curto, médio e longo prazos. E estamos debatendo com os nossos prefeitos e aliados projetos importantes, como a erradicação do analfabetismo e alternativos nas área de agricultura, agroecologia, cooperativismo, alternativas que gerem emprego e rende a partir da realidade local. Esse é o diferencial da administração petista: olhar a povo como prioridade e enfrentar as dificuldades com a participação da população. Não acreditamos em administrações sem a participação popular, sem a construção popular. O Governo Marcelo Déda deu certo porque ouvir e debateu com a população, teve a implantação dos territórios, uma iniciativa muito importante. Inclusive, a administração Marcelo Déda é um exemplo para todos os gestores.

JD – A Secretaria de Estado da Agricultura é uma indicação do senhor, em conjunto com o MST, movimento do qual o senhor faz parte. Como se concretiza essa primeira experiência de um representante de um movimento social na administração estadual?  

João Daniel – As ações desenvolvidas pelas secretarias da Agricultura e Meio Ambiente, indicações do PT no Governo Jackson Barreto, mostram trabalho e compromisso. Inclusive, a Secretaria da Agricultura firmou parcerias com o Governo Federal, com apoio do nosso mandato, num volume de recursos como nunca antes havia feito, com exceção do convênio de 50 milhões do Governo Marcelo Déda e Incra. E teremos ainda muito trabalho e conquistas pela frente.  

JD- Num balanço da atuação parlamentar do senhor em 2015, neste primeiro ano de mandato, o que se pode destacar?

 João Daniel – Nós trabalhamos com muita firme na defesa da classe trabalhadora e de todas as demandas do movimento sindical e popular organizado em Sergipe e no Brasil. Todas as demandas coletivas que foram solicitadas transformamos em debates, audiências públicas, projetos de lei e emendas parlamentares. Buscamos transformar em ações concretas de melhorias todas as reivindicações da população. A nossa forma de atuar é fortalecer a organização coletiva enraizada na histórica da classe trabalhadora, com quem sempre tivemos ligação orgânica. Apresentamos mais de 20 projetos de lei, várias emendas, indicações, realizamos diversas audiências públicas em todas as regiões de Sergipe. Participamos ativamente da vida da Câmara Federal, como, por exemplo, estivemos no primeiro grupo que pediu o afastamento do atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Enfim, tivemos um ano de 2015 de problemas políticos e econômicos, mas esperamos em 2016 superar as dificuldades e consolidar o Governo da presidenta Dilma, do qual faço parte na bancada federal, que se elegeu pela vontade do povo brasileiro e sergipano.

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