Gabriel Damásio
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A segurança pública de Sergipe está mergulhada em mais uma crise política interna. Desta vez, ela envolve uma queda-de-braço travada nos bastidores entre o secretário Mendonça Prado e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Maurício Iunes. Rumores que indicavam esta disputa circulam com força desde a semana passada e eram negadas pela cúpula do Governo do Estado, mas acabaram admitidas ontem à tarde pelo próprio Mendonça, em entrevista ao programa ‘Tolerância Zero’, da TV Atalaia. Ele assumiu haver atritos com Iunes, mas minimizou-os e não quis dizer quais são os seus motivos.
"Costumo dizer que as crises surgem para que sejam superadas. Nessas questões que envolvem segurança pública, a gente nunca pode fazer discussão pública, porque é uma área extremamente sensível. O que precisamos ter seriedade para ocupar as funções públicas, enfrentar os desafios do dia a dia sem prejudicar os serviços públicos. Nenhum tipo de divergência com ninguém da Segurança Pública poderá, de forma alguma, trazer consequências para população. São divergências ocorrem em qualquer lugar da sociedade, mas o propósito de todos é trabalhar para corresponder à expectativa do povo sergipano", disse o secretário.
Prado também comentou os boatos de que Iunes teria entregado o cargo de comandante ao governador Jackson Barreto (PMDB) na última sexta-feira – e que este teria demovido o coronel da decisão. Apesar de ser o superior imediato do Comando da PM, o titular da SSP disse que a decisão sobre a permanência de Iunes no posto tem que ser tomada exclusivamente por Jackson. "Cargo de comandante é uma nomeação feita pelo governador do Estado. Portanto, não cabe a mim neste momento, em função desta crise, dizer sobre o posicionamento lá do comandante. Acho que é uma crise que as pessoas perceberam, constataram e cabe ao senhor governador dirimir essas dúvidas", esquiva-se Mendonça.
A crise interna vinha sendo percebida há alguns meses, quando o comandante da PM deixou de comparecer a algumas solenidades presididas pelo secretário da SSP, e vice-versa. Na sexta, surgiram os boatos da demissão de Iunes, prontamente negados pela Secretaria de Comunicação do governo, mas o clima nos bastidores da polícia já era considerado péssimo. Horas depois do desmentido, veio a público o caso de um capitão da PM lotado como piloto do Grupamento Tático Aéreo (GTA), que realizou um sobrevoo de helicóptero por ordem da SSP. Segundo informações do site ‘NE Notícias’, Iunes proibiu a realização do vôo, mas Mendonça deu uma contraordem por escrito, autorizando o voo. Por acatar a contraordem, o Comando da PM afastou o capitão do GTA e transferiu-o para um batalhão do interior.
Perguntado novamente sobre a crise interna, Mendonça Prado citou, indiretamente, que Jackson deve tomar uma decisão rápida, com receio de que a situação se transforme em uma crise de autoridade na polícia. "Você pode ter crise financeira, administrativa, gerencial… a única crise que não pode existir é a de autoridade, então é preciso dirimir todas as dúvidas para não descambar numa crise de autoridade", falou o secretário. O Comando da PM não se pronunciou sobre o assunto.


