Gabriel Damásio
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A Polícia Civil anunciou ontem que desarticulou mais uma quadrilha ligada ao tráfico de drogas, que tinha a participação de detentos e a colaboração de um servidor do sistema prisional sergipano. Sete mandados de prisão expedidos pela Justiça foram cumpridos por agentes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que concluíram ontem a ‘Operação Remição’. Entre os presos, está o agente penitenciário Pedro da Mota Carvalho Neto, 48 anos, acusado de fraudar o controle de cumprimento das penas, inserindo dias inexistentes de trabalho em favor de alguns presos.
Lotado no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju), Pedro foi detido no Rio de Janeiro (RJ), enquanto fazia um curso de qualificação profissional, e foi trazido a Aracaju no fim da tarde de ontem. Além do agente, outras três pessoas foram presas pelo Cope na zona norte de Aracaju e em Nossa Senhora do Socorro: Silvanízio Ramos da Conceição, o ‘Sapo’, 48; Renata Geórgia Silva Santos, 23; e Ana Célia Santos Dantas, 42. Os outros três mandados de prisão foram cumpridos em Lauro de Freitas (BA) e nas penitenciárias de São Cristóvão e Nossa Senhora da Glória (Sertão), onde os acusados estão detidos por outros crimes: Átila Sidney Santos Franco, o ‘Bahia’, 26; David Wynne Messias, o ‘Cabal’, 26; e Rosival dos Santos Oliveira, o ‘Val Cachorrão’, 37.
Segundo o delegado Fábio Pereira, do 2º Núcleo de Investigações do Cope, o grupo atuava principalmente no tráfico de drogas e era comandado por Átila, por meio de contatos mantidos dentro e fora do Presídio Regional Senador Leite Neto (Preslen), em Glória. A apuração da polícia apontou que era este detento quem falava diretamente com o agente Pedro da Mota, o qual tinha acesso a um sistema do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe) que controla a chamada ‘remição de penas’. "O preso, quando ele trabalha, presta serviço em algum setor, como o de artesanato, ele tem um benefício de redução de pena. Então, ele [Pedro] fraudava, botava dias trabalhados a mais do que eles realmente trabalhavam, fazendo até mesmo mudanças retroativas [de dias] para beneficiar alguns presos", esclarece Pereira.
Ainda conforme o delegado, provas foram conseguidas através de medidas cautelares pedidas à Justiça pelo Cope, ao longo de quatro meses de investigação. "O objetivo inicial era investigar o tráfico de drogas, mas alguns envolvidos no tráfico tinham contato com ele [Pedro] e a gente constatou que ele alterava alguns documentos que beneficiavam alguns presos. Além disso, ele facilitava a entrada de alguns objetos dentro do presídio. Temos documentado tudo isso em provas que nós apresentamos ao Poder Judiciário, que decretou a prisão dele", informou Fábio, confirmando ainda a apuração dos indícios de que o agente teria recebido alguma recompensa dos presos para executar as fraudes.
Os outros envolvidos eram os que tocavam os negócios da quadrilha, que trazia drogas de outros estados e entregava-as no atacado, para outros traficantes que atuam em Aracaju. a polícia apurou que, fora do presídio, as atividades do grupo eram comandadas por ‘Sapo’ e por Renata (esposa de David). E tudo era acompanhado pelos detentos, que tiveram objetos apreendidos dentro da cela. "Com os presos, a gente encontrou até escrituras de imóveis. A movimentação financeira deles era muito alta", acrescenta o delegado. Ana Célia, por sua vez, já tinha sido presa por tráfico em maio de 2015 e cumpria pena no regime aberto, mas teve a prisão preventiva novamente decretada porque, segundo Pereira, ela cortou a tornozeleira eletrônica que a monitorava.
As investigações continuam para descobrir o envolvimento de outras pessoas com o grupo, inclusive dentro do sistema prisional, e com outros crimes. Há inclusive a possibilidade de que o caso seja dividido em inquéritos separados, a fim de facilitar o trabalho da polícia. Pedro da Mota foi indiciado pelos crimes de corrupção e associação criminosa, podendo ser até expulso do serviço público. Já os outros envolvidos responderão por tráfico de drogas e também por associação criminosa. A investigação do Cope teve a colaboração do Desipe e da Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc).


