Aracaju ainda está tomada pelo lixo e PMA pede tempo

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Funcionários da empresa Cavo Saneamento e Serviços estão trabalhando em escala dobrada a fim de regularizar a coleta de lixo doméstico e comercial na capital sergipana. Desde a manhã da última sexta-feira, 11, quando assumiu de vez os serviços deixados pela empresa Torre, o novo grupo operacional dispõe de efetivo inferior a 50% se comparado com a empresa anterior, mas busca realizar a coleta inclusive durante a madrugada. Os pontos de depósito de lixo continuam altos nos bairros mais populares de Aracaju, mas a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável por administrar todo este seguimento, garante regularizar as pendências até a próxima terça-feira, 15.
Paralelo ao baixo efetivo disponível para recolher 450 toneladas de lixo por dia, até a noite de ontem a Cavo não ofertava aos garis e margaridas caminhões suficientes e adequados para a coleta. Diante desta situação, caminhões do tipo caçamba são utilizados em várias comunidades da capital. Na tentativa de evitar excessivas cargas trabalhistas, a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindlimp) busca acompanhar de perto parte da atuação promovida pela Cavo. Em caso de irregularidade, o sindicato pretende encaminhar um dossiê à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), e ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Segundo Rayvanderson Fernandes, presidente do Sindilimp, é preciso que a população e, em especial os trabalhadores, continuem repassando informações quanto ao modo de agir da Cavo. Para ele, a Prefeitura de Aracaju não tem se mostrado interessada em resolver os impasses gerados aos servidores da Torre, e não aparenta se importar com a carga horária da empresa recém contratada. "A luta dos trabalhadores continua na Torre pra receber o FGTS e a rescisão contratual. Com uma dívida milionária sem receber não tem como cumprir esse direito nosso e o prefeito parece não fazer nada. A empresa nova chegou e com uma equipe bastante reduzida o serviço se acumula, as ruas ficam imundas e os garis sofrem para tentar reparar um erro que a prefeitura parece não se importar", disse.
Conforme cálculos apresentados pela PMA junto ao Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE), com a chegada da Cavo, a gestão municipal irá economizar em média R$ 8,5 milhões nos próximos meses. A medida é apresentada como ‘solução’ paliativa para os problemas financeiros que o Governo João Alves tem enfrentado, mas na visão sindical dos garis, essa economia gera efeito cascata, e prejudica outros seguimentos. Para Rayvanderson, a economia nas finanças trata-se de uma ação positiva e essencial desde que o serviço nas ruas não seja prejudicado, e a população não volte a sofrer com a ausência da tradicional coleta diária.
O presidente destaca que essa forma de avaliar a economia milionária tem fundamento diante do montante de sacolas e caixas de lixos que se aglomeram em terrenos baldios, ruas e calçadas. "Toda economia é positiva desde que ela só traga avanços para todos. A prefeitura vai economizar, o TCE mostra-se satisfeito com essa medida de João, mas volto a destacar que o efetivo da Cavo é baixo e a empresa já disse que não irá contratar todos os funcionários que serão demitidos da Torre. Não somos contra a troca de empresas; a Torre também não era essas maravilhas todas, mas essa mudança tapa um buraco e deixa outro ainda maior aberto", pontuou.

Mobilização – Na manhã de ontem um grupo de filiados ao Simdilimp esteve reunido em Aracaju para dar sequência aos atos públicos. Ao Jornal do Dia, o gari Marcos Sousa Neto afirmou que a luta pelos direitos garantidos por lei irá permanecer até que sejam devidamente cumpridos. Ao longo da semana gestores da PMA chegaram a informar que o problema da dívida não é mais de competência do governo municipal. Essas declarações foram criticadas por Marcos. "Tudo bem que a Torre não está mais ligada à prefeitura, mas a empresa diz que não tem dinheiro porque a prefeitura não pagou. E agora, como fica nossa situação? Alguns que estão trabalhando na Cavo ainda estão sem receber da Torre. Por esses e outros motivos a gente tem realizado manifestações", afirmou.

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