A tartaruga do Tamar

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O secretário de cultura Neu Fontes inaugurou ontem a escultura de uma tartaruga. E não estava sozinho. Saulo Eloy, secretário do turismo e do esporte, além de peixes menos graúdos, também tomaram parte na cerimônia. A comemoração do Dia Internacional da Tartaruga Marinha faz pensar sobre a vida difícil desses abnegados servidores públicos. Muita pompa e pouca circunstância. Todo dia uma solenidade diferente.
Quatro metros de altura e um bom quinhão em dinheiro público. A obra encomendada ao artesão Eduardo Rodrigues contou com investimentos do Governo Federal, através do Projeto Tamar, da Petrobras e do Governo do Estado. Fixada ao lado do Oceanário de Aracaju, a escultura é divulgada como mais uma atração turística a disposição dos visitantes da capital sergipana. Há a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque. O Redentor de braços abertos, no Rio de Janeiro. E a tartaruga do Tamar, na orla de Aracaju.

Apesar de substituir o defensor público Élber Batalha, que entregou o cargo para concorrer a uma cadeira e quatro anos de batente na Câmara de Vereadores de Aracaju, a nomeação do secretário Neu Fontes não representou a mais breve ruptura na gestão da sensibilidade nativa. A Cultura Serigy segue se apertando no corredor estreito da Secult, legitimada por certificados de valor duvidoso, subordinada à lógica comercial dos grandes eventos festivos.
Esperava-se mais de Neu Fontes. Conhecimento de causa, o dito cujo tem. A retórica da continuidade, adotada nas primeiras manifestações públicas no exercício do cargo, contudo, ganha corpo a cada nova ação da Secult. Uma pena. A gestão de Élber Batalha não deixou saudades em ninguém.

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