Ausência de médicos e outros profissionais causa tumulto em postos de saúde

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Continua o impasse administrativo entre a Prefeitura de Aracaju e os servidores da saúde que atendem ao Sistema Único de Saúde (SUS). Contando apenas com 30% do efetivo de enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais e mais nove categorias, desde as primeiras horas de ontem todas as unidades administradas pela gestão João Alves Filho estão com apenas 50% dos médicos. A situação instável vivenciada pelos servidores da saúde se agravou ontem. Isso porque na semana passada, após afirmar que não tinha conhecimento do pleito apresentado pela classe trabalhadora, o prefeito garantiu que ontem iria se pronunciar quanto ao reajuste reivindicado. A promessa acabou não sendo cumprida.
Sem acordo e com as categorias mobilizadas por tempo indeterminado quem sofre são os aracajuanos que voltam a enfrentar dificuldades quando buscam assistência médica. Durante a manhã de ontem na Unidade Fernando Franco, a ausência dos profissionais causou tumulto e revolta por parte dos pacientes. Situação semelhante foi registrada também nos bairros Bugio, Jardins, Santos Dumont e Santa Maria. De acordo com a direção do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), é preciso que a gestão municipal ponha em prática as propagandas de ‘portas abertas’ para favorecer os diálogos com os servidores.
"Os médicos de Aracaju decidiram em assembleia pelo reinício da greve dias depois de a justiça ter decretado ilegalidade. A categoria entende que o prefeito precisa reajustar o salário dos profissionais da saúde já que estamos todos sem esse tipo de benefício. A mobilização grevista segue forte e aguardando um posicionamento do prefeito João Alves", afirmou Carlos Spina, secretário geral do Sindimend. Uma comissão intersindical da Saúde, da qual o Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa) também faz parte, enviou um ofício para a Prefeitura de Aracaju cobrando reajuste salarial de 12,5% para os servidores, que seria para compensar a inflação anual.
Para a Câmara Municipal de Aracaju (CMA) o Novo Estatuto dos Servidores Públicos da Administração Direta do Município de Aracaju também foi enviado para apreciação dos deputados. A proposta de reajuste foi apresentada ainda no final do ano passado. Na avaliação feita por Shirley Morales, presidente do Sindicato dos Enfermeiros, ao declarar que não tinha conhecimento do pleito da saúde, João Alves se mostrou desinteressado em debater os avanços das categorias. A militante sindical pede mais atenção para os funcionários e menos destaque para o Forró Caju.
"Pra forró tem dinheiro, firmam parceria com empresa particular, vão até no Ministério Público para debater o assunto, agora, quando o assunto é valorização dos servidores e assistência aos aracajuanos, ele diz que não sabia das nossas reivindicações. É dessa forma que o prefeito nos trata. O pior é que ainda tem vereador amigo de João que vai à tribuna dizer que nós estamos errados em exigir os nossos direitos", disse.

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