SSP confirma latrocínio

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O ex-presidiário Anderson Santos Souza, 27 anos, confessou à polícia que foi o responsável pelo assassinato do delegado de polícia Ademir da Silva Melo Júnior, 37, ocorrido em 18 de julho no bairro Luzia (zona sul de Aracaju). A informação foi confirmada ontem de manhã pelo delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira, em entrevista coletiva na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Anderson foi preso anteontem à tarde na casa da namorada, no bairro Soledade (zona norte), por agentes de três unidades especializadas da Polícia Civil que apuram o caso, e, de acordo com o delegado, já era investigado por outros roubos de celulares que vinham acontecendo nos últimos dias em Aracaju.

Com o suspeito, os policiais apreenderam um revólver calibre 38, 11 munições e uma moto Honda XRE 300 que, de acordo com as investigações, foram usadas na tentativa de assalto contra o delegado, em frente ao condomínio onde a vítima morava. "Ele [Anderson] reconhece e os familiares reconhecem a arma como a que foi utilizada no momento do crime. A motocicleta teve as suas características alteradas: ela era preta e branca, com detalhes em prata. Ele deixou a moto toda preta, voltou a praticar crimes com ela, utilizando a mesma arma de fogo e também um simulacro de pistola ponto 40, uma imitação muito realista da pistola. As vítimas desses crimes já foram identificadas e já houve reconhecimentos do suspeito", disse Vieira, revelando que dezenas de capas e chips de telefone celular também foram apreendidas na casa do acusado.

O revólver apreendido com já passou por um exame de microcomparação balística no Instituto de Criminalística de Alagoas, em Maceió (AL), cujo laudo confirmou que os três tiros disparados contra Ademir saíram do revólver apreendido com Anderson, incluindo o projetil que foi encontrado no cadáver da vítima. A SSP marcou para as 8h30 de hoje, na sede do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), uma entrevista coletiva para divulgar os detalhes do laudo da arma e um vídeo com o depoimento do acusado, no qual ele assume e detalha o crime que resultou na morte do delegado. A iniciativa de divulgar o vídeo seria uma resposta da polícia a comentários de setores da opinião pública que, ao longo do dia de ontem, insistiam na tese de que o delegado teria sido vítima de um suposto crime de mando, totalmente descartada pelo delegado-geral já na coletiva de ontem.

Segundo ele, isso foi possível porque os investigadores do caso identificaram o roteiro seguido por Anderson na noite do crime, a partir das imagens gravadas pelas câmeras de segurança dos vários condomínios situados na Alameda das Árvores e suas redondezas. "Esse roteiro era incompatível com aquelas informações de que tinha uma pessoa esperando [pela vítima] a tarde inteira ou o dia inteiro. Ficou claro que o atirador fez um trajeto contínuo e abordou o delegado logo cerca de um minuto após ele ter saído de sua residência. A abordagem aconteceu na esquina, em um ponto que estava escuro, aonde ele [Ademir] vinha com o celular dele na mão. Foi isso que chamou a atenção do criminoso, que tentou fazer aquilo que fazia todos os dias e por mais de uma vez. São vários roubos que ele praticava", esclareceu Alessandro.

Confirmou-se ainda que Ademir tentou sacar a pistola para reagir ao assalto, mas foi baleado por Anderson e morreu após ser socorrido por dois agentes do Cope que passavam pelo local. A polícia apurou que o ex-detento fugiu para sua residência e contou aos familiares que matou uma pessoa e soube da repercussão do caso pela televisão, mas voltou a fazer assaltos poucos dias depois. Esta foi a primeira morte consumada praticada por Anderson, mas ele já foi condenado por uma tentativa de latrocínio ocorrida em março de 2015, no centro da capital, mas estava em liberdade condicional desde dezembro.

Agora, ele está sob prisão temporária de cinco dias, mas pode ter a prisão definitiva decretada a qualquer momento e será indiciado por latrocínio. "Infelizmente essa investigação bem sucedida não traz de volta o colega Ademir Melo, mas permite à sociedade ter a certeza da capacidade da polícia de reação e identificação dos criminosos dentro dos limites da lei, até porque a polícia não está aqui para fazer vingança, e sim para viabilizar a realização da justiça", finalizou o delegado-geral, que parabenizou as equipes envolvidas nas investigações do caso. Além do Cope, a investigação teve a participação dos departamentos de Narcóticos (Denarc) e de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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