Comércio apostou nas liquidações para salvar Dia dos Pais

Milton Alves Júnior

A quarta data mais representativa para o comércio sergipano deve, mais uma vez, fechar o ciclo econômico abaixo do esperado nos principais polos lojistas da região metropolitana de Aracaju. No início deste mês o Sindicato dos Lojistas de Sergipe (Sindiloja) apontou uma perspectiva de aumento das vendas equivalente a 3% se comparado ao mesmo Dia dos Pais do ano passado, mas ao longo das últimas semanas os comerciantes alegam baixa procura e vendas emperradas. Sem opção de melhora, a forma mais compacta para tentar atrair os clientes e evitar possíveis prejuízos foi divulgar precocemente as liquidações de estoque.
No centro da capital sergipana, o movimento na manhã de ontem foi intenso se comparado aos últimos 15 dias, mas esteve longe de se comparar aos anos considerados de glória para o setor lojista. Descontos especiais que chegam até 60% para pagamentos à vista; facilidade em divisões de pagamento; e até aceitação de cheques estão na lista de medidas cruciais para conquistar a clientela. Apesar das medidas, a gerente Aldecir Maynard lamenta a falta de vendas em todos os seguimentos. Desapontada com o Dia dos Pais 2016, ela já diz temer o balanço final deste mês.
"Eu estou falando desse período porque estamos nele, mas na realidade eu tenho medo já é do final do ano. Até agora eu não conheço um colega comerciante que disse ter lucrado bem esse ano em alguma dessas datas. Está difícil. Estamos trabalhando duro, renovando estoque, oferecendo melhores condições de pagamento, promoções boas, mas a crise afeta todas as classes. As pessoas estão se segurando muito, pensando até dez vezes antes de fechar a compra", analisou. O Dia dos Pais, em termos econômicos, fica atrás apenas do Dia das Mães, festividades de final de ano (Natal e Ano Novo), e o Dia das Crianças.
Para dificultar ainda mais nas vendas, a inflação desacelerada tem contribuído para afastar muitos filhos em busca dos presentes dos pais. Para se ter ideia da situação, as tradicionais carteiras, por exemplo, aumentaram 11,15%. Outros produtos que também tiveram os preços elevados foram o cinto 10,94%, os perfumes 7,39%, e as gravatas 3,40%. Em relação aos produtos eletroeletrônicos, um estudo nacional revela que, devido ao constante processo de modernização tecnológica e ao aumento do dólar, os aparelhos celulares sofreram uma alta de 21,64%. Outro produto que merece destaque é o notebook que, neste ano, apresentou um aumento de 31,94%.
Enquanto o aumento atinge de forma mais intensa os presentes considerados tradicionais, lojas dos seguimentos de calçados e roupas tentam atrair os consumidores. Em ritmo de olimpíadas, empreendimentos esportivos abusam nas opções de presentes da equipe brasileira. Com o futebol em baixa, o masculino, diga-se de passagem, a aposta fica nas camisas de voleibol, handebol, atletismo e basquete. Para o empresário Alisson Vasconcelos, essa estratégia tem ajudado a não fechar o período com lucro abaixo de 2%, mas também não muito ácida do previsto pelo Sindiloja.
"Temos que pegar carona no que está dando certo. Pra você ter noção, muitas pessoas estão procurando camisas com o nome da Marta. Bandeiras, bonés e camisa da seleção de vôlei também estão saindo em boa quantidade. Essa semana eu já vendi dois quimonos com a bandeira do Brasil. Não estou feliz com as vendas, poderiam ser melhores, mas também não posso reclamar porque por aí eu vejo que muitas lojas estão sofrendo mais do que a gente", disse. Um balanço das vendas será apresentado na próxima semana pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).

Compartilhe esta notícia