Pacientes com câncer reclamam de atendimento no Huse

Milton Alves Júnior

Pacientes com câncer atendidos no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) pretendem levar ao Ministério Público Estadual (MPE) a denúncia de evasão de médicos e demais profissionais. Na tarde da última sexta-feira, 26, três médicos decidiram pedir demissão por entender que a unidade hospitalar, a maior do Estado, atualmente não dispõe de boas condições de atendimento. Diante da redução no número de profissionais da medicina no quadro do Sistema Único de Saúde (SUS), a proposta dos pacientes e familiares é provocar a Promotoria de Direitos à Saúde e garantir a permanência da assistência.

O apelo por intervenção judicial junto ao Huse foi reforçado na manhã de ontem pelo grupo Mulheres de Peito, composto por pacientes com câncer. A decisão de criar este movimento surgiu após os próprios pacientes não aceitarem as irregularidades corriqueiras de outro grande problema: as panes das máquinas de radioterapia. Preocupada com a situação vivenciada por todos, a paciente Patrícia Messias pede que os problemas sejam solucionados de imediato e que a escala, agora defasada com a baixa dos três médicos, seja recomposta até a próxima segunda-feira, 29.

"Infelizmente nós somos os mais prejudicados com esse pedido de demissão. O que mais nos deixa preocupado é saber que o Estado está em crise, a justiça sabe das dificuldades dos hospitais públicos, e no final das contas nada se faz para mudar essa difícil realidade. Infelizmente a vida da gente fica em jogo", disse Patrícia, que concluiu dizendo: "O pobre sofre demais nesse país desigual e que a justiça às vezes parece fechar os olhos para certas coisas. O que dá mais raiva é assistir programa eleitoral e ver um monte de mentira sendo levada ao povo".

Por meio de nota encaminhada à imprensa, a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) informou que desconhece o pleito dos profissionais acerca das condições de trabalho e que está aberta ao diálogo a partir desta semana. A fundação destacou ainda que os médicos solicitaram ajustes na remuneração salarial, condicionado à redução da carga horária, mas não foram atendidos em função da crise financeira. Sobre um possível diálogo entre gestores e funcionários, a FHS alega que já há uma reunião agendada com a presidente do conselho curador para ouvir as propostas dos profissionais, mas eles decidiram antecipar a decisão de desligamento.

Para Valdice Torres, também paciente, a perspectiva é que outras mobilizações sejam realizadas ainda neste mês de agosto a fim de chamar a atenção dos órgãos públicos de fiscalização e da sociedade sergipana, para os problemas apresentados na oncologia do Huse. A proposta de intensificar as manifestações tende a garantir a permanência do serviço e evitar que a saúde de mais de 80 pessoas seja prejudicada diante do caos vivido. Sem condições de pagar consultas e exames na rede particular, Valdice compartilha das críticas feitas pelos médicos ao longo dos últimos meses.
"A gente até entende a reclamação dos médicos porque realmente é difícil trabalhar em um local onde não tem as mínimas condições. Agora não se pode negar que o prejuízo maior é para nós que precisamos de saúde, de assistência. Não podemos simplesmente chegar aqui no Huse, saber que os médicos pediram demissão e que os serviços estão praticamente suspensos. Quando não é a máquina que quebra, são os profissionais que pedem para sair", disse.

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